O depoimento do hacker Molição

O depoimento do hacker Molição

Preso na Operação Spoofing, Luiz Henrique Molição afirmou que Walter Delgatti Neto, o 'Vermelho', tem perfil 'sociopata', e que suposto advogado teria ligado perguntando sobre o paradeiro de BMW pertencente ao hacker

Fausto Macedo e Luiz Vassallo

01 de outubro de 2019 | 21h54

Reprodução

Em depoimento, o hacker Luiz Henrique Molição detalhou à Polícia Federal os bastidores das invasões dos celulares de procuradores da Operação Lava Jato, com a participação de outros alvos da Operação Spoofing, como Walter Delgatti Neto. Segundo Molição, ‘vermelho’, como é conhecido seu colega, tem um ‘perfil narcisista e sociopata’.

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Entre as figuras públicas hackeadas, ele menciona a líder de Jair Bolsonaro no Congresso, Joice Hasselmann. Detalhou como invadiram o celular da deputada federal para enviar uma falsa mensagem a um jornalista.

Segundo Molição, ele teria recebido, após a prisão de Delgatti, uma ligação de um suposto advogado de ‘Vermelho’ perguntando sobre uma BMW. O advogado teria dito que ‘vermelho está bem’.

De acordo com Molição, ‘Vermelho’ queria vender as mensagens, mas não obteve êxito ao oferecê-las para o jornalista Glenn Greenwald, que teria se recusado a comprá-las.

Ele chegou a dizer que ‘não sabe dizer se Walter tentou vender o conteúdo das mensagens para outras pessoas’, mas que Walter ‘estava invadindo contas do telegram de autoridades públicas com o objetivo de vender as informações para jornalistas’.

Em seu depoimento,  ele diz ter ouvido de ‘que teria repassado para o site O Antagonista a informação sobrte o codinome “O amigo do amigo do meu pai” que era utilizado para identificar o Ministro Dias Toffoli’.

O Antagonista afirmou que, tanto o site, quanto a revista Crusoé, ‘nunca compraram informação nenhuma de ninguém’. “Trata-se de uma mentira deslavada de estelionatários a serviço provavelmente de interesses poderosos que visam a minar a nossa credibilidade. Os hackers que inventaram a mentira deslavada foram, inclusive, capas da Crusoé — um deles nesta semana. Quero lembrar ainda que repórteres nossos foram hackeados por esses marginais. Por último, no caso da matéria ‘O Amigo do Amigo do Meu Pai’, que causou a censura da revista, o documento utilizado estava entranhado no processo, como é público e notório. Esses hackers precisam ser punidos exemplarmente. Continuaremos a fazer a nossa parte nesse sentido.”

“Autoridades ligadas à investigação ouvidas por nossos repórteres disseram, reservadamente, que a menção a Crusoé e O Antagonista foi feita pelo parceiro do hacker para “criar fato”. Também afirmaram não haver nos autos qualquer lastro probatório a sustentar a declaração, que teria claro objetivo de lançar suspeitas infundadas contra a revista e o site”, afirma o site.

À época em que a revista Crusoé revelou a reportagem sobre a menção ao presidente do Supremo, o Estado também obteve acesso aos documentos, que estavam nos autos de número 5026548-52.2015.4.04.7000, na Justiça Federal do Paraná.

 

 

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