O decisivo papel dos sindicatos na crise provocada pela pandemia

O decisivo papel dos sindicatos na crise provocada pela pandemia

Eduardo Becker*

30 de setembro de 2020 | 03h15

Eduardo Becker. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Sindicatos são organizações de classe que têm a valiosa função de lutar por melhorias da categoria profissional, mas têm também um importante papel na sociedade: promover o bem comum e lutar por injustiças que afligem a todos.

Em um de seus poderosos discursos, o Papa Francisco disse, certa vez, que “não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato”. A frase foi dita durante encontro com os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl), em 2017.

Mais do que nunca, o discurso do pontífice se faz importante e atual. Vivemos uma crise sem precedentes, provocada por uma pandemia que escancarou os abismos sociais. Impedidos de trabalhar ou desempregados pela crise provocada pelo novo coronavírus, milhões de brasileiros precisaram recorrer à ajuda emergencial do governo para colocar comida na mesa. Sem acesso a itens de higiene básicos, moradias dignas e até mesmo rede de água, milhões de brasileiros ficaram sujeitos a uma doença que matou milhões em todo mundo.

Medidas de contenção de gastos, para dar suporte aos pesados investimentos que foram feitos para salvar vidas e conter o avanço da epidemia, impuseram o corte e congelamento de salários; a suspensão de benefícios e atingiram toda a classe trabalhadora.

Com os servidores da segurança pública estadual não foi diferente. Nesse cenário, os sindicatos surgem como importantes garantidores de direitos e como valioso instrumento para ajudar na preservação das vidas. Além de trabalhar para que os peritos criminais não amarguem ainda mais perdas financeiras, o Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (SINPCRESP), desde o início da pandemia, vem lutando para que eles tenham acesso a todos os equipamentos de proteção individual e para que as suas rotinas de trabalho sejam modificadas de forma a garantir a sua segurança física e menor exposição a um vírus que ainda é uma incógnita para a comunidade científica.

No discurso de 2017, o papa completa: “Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato. E não há um bom sindicato que não renasça todos os dias nas periferias, que não transforme as pedras descartadas da economia em pedras angulares. Sindicato é uma bela palavra que provém do grego syn-dike, isto é, ‘justiça juntos’. Não há justiça se não se está com os excluídos”.

Esse deveria ser o lema de todos os trabalhadores, pois é por meio dos sindicatos que os empregados podem buscar a Justiça para TODOS, com um olhar diferenciado aos excluídos. Em tempos de isolamento social, quarentena, pandemia e crise, ter um olhar atento a quem mais precisa é uma tarefa que deve ser exercida diariamente. A luta não é apenas por uma categoria específica, mas é para que todos tenham no trabalho a oportunidade de se desenvolver sem se submeter a explorações e injustiças.

Há que se atuar diariamente para garantir que os trabalhadores tenham condições de desenvolver seu trabalho com dignidade, mas também tenham as ferramentas de que precisam para se recuperar, descansar, se dedicar à família e ao lazer.

Essa é também uma das lutas mais antigas do SINPCRESP: lutar para que a sobrecarga de trabalho decorrente do deficit de peritos criminais no estado seja reduzida. Apesar de, em 2019, o governo ter chamado uma leva de aprovados em concurso anterior, a defasagem de peritos criminais aumenta mês a mês. Nos últimos sete meses, o deficit mais que dobrou, saltando de 70 para 148 cargos vagos. Continuamos atuando de forma cotidiana para vencer mais essa batalha e garanto que não descansaremos até que melhorem as nossas condições de trabalho.

*Eduardo Becker, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo

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