O crescimento da geração renovável no Piauí

O crescimento da geração renovável no Piauí

Ciro Nogueira*

10 de abril de 2021 | 05h30

Ciro Nogueira. FOTO: DIVULGAÇÃO

A antiga lenda do Eldorado, segundo a qual havia uma cidade nas Américas feita de ouro maciço, atraiu muitos exploradores nos séculos XVI e XVII. Na atualidade, em que a energia elétrica renovável é um dos principais insumos para o desenvolvimento sustentável das sociedades, o ouro deu lugar ao sol e ao vento, criando novos eldorados.

No Brasil, o potencial solar e eólico está concentrado na região Nordeste, e o estado do Piauí é uma grande fonte dessa riqueza natural. De olho no tesouro que a energia renovável representa, os exploradores do novo Eldorado já estão chegando. Eles não são poucos e não vêm como aventureiros, mas como investidores.

Atualmente, o Piauí é o terceiro maior produtor de energia a partir dos ventos e responde por aproximadamente 12,6% da geração eólica do país, com 2.275,8 megawatts (MW) dos 18.101,1 MW em operação até fevereiro de 2021.

Na geração de energia fotovoltaica (solar), o Piauí já é o estado com as maiores plantas de produção dessa energia renovável, centralizadas em grandes áreas onde são instalados parques com painéis fotovoltaicos. Essas usinas já colocam no sistema integrado de energia elétrica do país 1.031 MW.

A geração renovável a partir dos ventos e do sol crescerá ainda mais nos próximos anos. Atualmente, temos mais de 1.760 MW aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em usinas eólicas a serem construídas no futuro próximo, aumentando em mais de 85% a capacidade de geração eólica instalada em solo piauiense. Isso fará com que o estado mantenha a dianteira entre os maiores geradores desse tipo de energia limpa no país.

No mesmo caminho, a geração solar deve dobrar em breve, pois há mais 1.053 MW de potência de usinas já outorgadas e que serão instaladas no Piauí nos próximos anos.

Como já posto, a contrário dos exploradores do antigo Eldorado, que colhiam os tesouros e deixavam a população local desamparada, as usinas eólicas e solares, além de gerar energia elétrica de maneira limpa e renovável, podem melhorar profundamente a realidade dos municípios onde são instaladas.

Estudos realizados pela ANEEL, e mais recentemente pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica), analisaram a evolução do PIB per capita em 73 municípios onde foram instaladas usinas eólicas entre 2010 e 2016, concluindo que o aumento do PIB nesses municípios foi consideravelmente superior à média nacional.

No período analisado, o acréscimo no PIB nas cidades que receberam plantas de geração de energia eólica cidades foi de 164%, frente a um crescimento de 79% nas demais localidades. No município de Caldeirão Grande do Piauí, por exemplo, o PIB per capita saltou de R$ 3,5 mil para R$ 8,4 mil no período, com a construção de 10 usinas eólicas de 30 MW. Em 2018, ano da última aferição do PIB dos municípios brasileiros pelo IBGE, o PIB per capita de Caldeirão Grande já era de R$ 18.567,87.

Esse mesmo aumento também se verifica no Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios – IDHM. Os mesmos estudos identificaram que a instalação de usinas eólicas aumentou o IDHM em mais de 20% nessas localidades.

Os benefícios decorrem de vários fatores: o aumento na renda das famílias a partir do arrendamento de terras para instalação dos aerogeradores, a ampliação no recolhimento de impostos para estados e municípios e a geração de empregos diretos, indiretos e induzidos na região, como também em outros estados.

Estudos indicam que para cada R$ 1 bilhão investidos em eólicas na região Nordeste, são gerados cerca de 11,4 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, podem ser criados ainda mais 7,1 mil postos de trabalho em áreas ligadas à atividade econômica suscitada pelas usinas. Tem mais: cada R$ 1 investido em eólicas se traduz em mais R$ 2 reais de aumento na produção econômica (efeitos indiretos e induzidos).

Os benefícios que o Piauí já tem verificado estão apenas no começo. As usinas eólicas chegaram primeiro no mundo, no Brasil e no Piauí, por isso seus efeitos para as comunidades locais são mais perceptíveis. Tenho a certeza de que, da mesma forma, a energia vinda do sol, que tanto assolou a vida do piauiense, também trará muitos benefícios para nossa gente.

Estima-se que toda a geração a partir dos ventos e do sol já construídas e em construção no Piauí representa menos de um décimo do nosso enorme potencial. Em outras palavras, o tesouro invisível do Piauí tem um horizonte a perder de vista.

A exploração do Eldorado do sol e dos ventos trará, no futuro próximo, progresso econômico e social para a região, além de qualidade de vida para a população piauiense, fazendo do Piauí uma nova liderança do desenvolvimento sustentável.

*Ciro Nogueira é senador da República pelo Estado do Piauí

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoCiro Nogueira

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.