‘O cliente nos pediu um cartão para Aloysio Nunes’, diz e-mail de banco suíço

‘O cliente nos pediu um cartão para Aloysio Nunes’, diz e-mail de banco suíço

Trocas de mensagens entre funcionários do Bordier & Cie, de Genebra, revelam que o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza teria encomendado um cartão para o ex-ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB)

Luiz Vassallo

28 de fevereiro de 2019 | 05h33

Aloysio Nunes. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

E-mails do banco Bordier & Cie, de Genebra, revelam que o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza teria encomendado um cartão para o ex-ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB). De acordo com a troca de mensagens entre funcionários da instituição financeira, a pedido do ‘cliente’, o cartão, que foi carregado com 10 mil euros, deveria ter sido enviado ao tucano, mas não colocado em seu nome.

As trocas de mensagens fazem parte dos documentos obtidos pela força-tarefa da Lava Jato em cooperação internacional com bancos Suíços. Vieira de Souza foi preso na fase 60 da Operação, batizada de Ad Infinitum, apontado como suposto operador de políticos do PSDB e também da Odebrecht na geração de dinheiro para seu departamento de propina.

Reprodução de e-mail

Os documentos em nome da offshore Grupo Nantes revelam que Vieira de Souza chegou a ter a cifra de R$ 130 milhões na Suíça. Boa parte dos papéis está em nome do ex-diretor da Dersa apontado como operador tucano. Pagamentos a essa conta teriam vindo das empreiteiras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht. Investigadores querem saber se outros políticos teriam sido beneficiários de 11 cartões emitidos pelas contas de Vieira de Souza.

Um dos cartões emitidos teria Aloysio Nunes como seu beneficiário – ele foi alvo de buscas e apreensões. O documento foi emitido em 2007, quando o tucano era chefe da Casa Civil do governo José Serra (PSDB), em São Paulo. O cartão, de acordo com as informações do banco suíço, foi enviado ao hotel Majestic, em Barcelona, e recebeu crédito de 10 mil euros.

Reprodução de e-mail

Além do documento que mostra a emissão do cartão e seu envio a Barcelona, trocas de e-mails também indicam para a entrega do cartão a Aloysio, a pedido de Paulo Vieira de Souza.

“Confirmo que entregamos um cartão ao Sr. Alonso Nunes Ferreira em 20.12.2007 e que o creditamos com Eur 10’000. – de acordo com o pedido do gestor pelo conta 13’606-978. (mapa nº 8029 000 031 344)”, diz um funcionário do banco.

Em outro e-mail, um funcionário do banco diz. “O cliente que viajou para a Espanha nos pediu um cartão TC em EUR, implorando-nos para enviá-lo para o Hotel, para a atenção do Sr. Aloísio Nunes Ferreira”.

“Eu cometi o erro de colocar este nome como o beneficiário do cartão, que foi corrigido cancelando o mapa 14.11.2012. 19.09.2011 O cliente pediu novamente duas cartas porque as outras foram perdidas e entregou as coordenadas ADE corretas. Para mim as cartas estavam naquele momento com o beneficiário correto”, escreveram.

Sobre o cartão emitido a Aloysio, uma das mensagens dos funcionários do Bordier & Cie ainda afirma. “Gostaria de acrescentar que a partir de 14 de novembro de 2012 também nos pediram para cancelar o primeiro cartão (8029 000 031 344) e transferir o saldo no novo cartão n º 8032 000 872 709 ainda sem os nomes do primeiro e do último beneficiário, mas simplesmente com base na Número de conta, portanto, a confusão da nossa parte”.

COM A PALAVRA, ALOYSIO

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

No dia da deflagração da Ad Infinitum, terça, 19, o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira disse que ainda ‘não teve acesso às informações’ da investigação que faz parte da fase 60 da Lava Jato.

Segundo o tucano, o delegado da Polícia Federal que conduziu as buscas em sua residência nesta terça, 19, ‘foi muito cortês’, mas não revelou a ele os motivos da diligência. “O inquérito está em segredo, eu estou buscando saber o que há.”

Aloysio negou ter recebido cartão de crédito da conta do operador do PSDB Paulo Vieira de Souza, preso na Ad Infinitum.

COM A PALAVRA, PAULO VIEIRA 

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.