O cenário do mercado de seguros no Brasil

O cenário do mercado de seguros no Brasil

Ianz Monteiro do Rio*

15 Abril 2017 | 04h00

Ianz Monteiro do Rio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ianz Monteiro do Rio. FOTO: DIVULGAÇÃO

O mercado de seguros vem se aperfeiçoando bastante no Brasil. A competição interna e o aumento do conhecimento por parte da população sobre o assunto são dois dos fatores que têm feito com que as seguradoras avancem, mesmo que algumas ainda não imprimam a velocidade esperada.

Atualmente, é claramente perceptível o grande interesse das seguradoras em oferecer produtos mais personalizados a determinados públicos como, seguros de vida para portadores de diabetes ou produtos específicos voltados para mulheres. Ou ainda serviços para determinados perfis de segurados como os criados para praticantes de esportes radicais. Também têm surgido, nos mais diferentes ramos de seguro, parcerias entre empresas do segmento, o que vem ajudando as seguradoras a alcançar um público infinitamente superior ao obtido a partir de qualquer rede de corretores tradicionais, independentemente do tamanho ou da capilaridade.

E, falando do cliente, quais devem ser os cuidados na hora da contratação de um seguro? Em primeiro lugar, é importante lembrar que é fundamental que o segurado tenha o apoio de um corretor de seguros habilitado pela Susep. Caberá a esse profissional indicar o produto mais adequado ao perfil do cliente, que apresenta características que precisam ser consideradas no momento da escolha do produto. Se a contratação for através de uma corretora de seguros, o segurado deve se informar se a empresa em questão é habilitada. Além disso, o ideal é optar sempre pela aquisição de um produto oferecido por uma seguradora, fugindo das empresas que não têm registro junto à Susep, que não seguem as regras de gestão financeira e nem oferecem garantias de reservas para o pagamento dos valores contratados. Ou seja, não são amparadas pela lei.

Um fator importantíssimo, e que deve ser destacado sempre, é relacionado ao fornecimento de informações. O cliente precisa entender que não pode, jamais, esconder ou dar informações incompletas.

Essa atitude pode fazer com que a seguradora negue o pagamento dos valores contratados quando o evento, o sinistro, ocorre. Mas, é fundamental que se diga que uma resposta correta tem por base o entendimento da pergunta pelo cliente. Assim, reitero que o apoio do corretor de seguros é imprescindível para que todo o processo de contratação seja seguro.

Outro cuidado é no sentido de comparar as propostas em mais de uma seguradora, mantendo as mesmas condições e coberturas. Além disso, na contratação do seguro, é importante evitar o pagamento em cheque devido a diversos problemas provocados pela atuação fraudulenta de alguns profissionais.

Essas dicas independem do tipo de seguro contratado e precisam ser sempre seguidas para que surpresas desagradáveis sejam evitadas.

Cada tipo de seguro vai englobar questões específicas, mas ficando atento e adotando os cuidados básicos já mencionados, o cliente evita eventuais problemas. Com o aumento do número de corretoras online nos últimos anos, recomendo um cuidado ainda maior no caso da contratação do seguro ser realizada integralmente pela internet. Em casos assim, é preciso redobrar a atenção no preenchimento dos formulários, lembrando que neste modelo não há contato da corretora ou do corretor durante o processo. Assim, aumentam os riscos de erros na contratação e de problemas para o recebimento. Essa é uma questão que percebi há muito tempo e, por isso, aposto na adoção do chamado modelo híbrido quando, apesar do segurado realizar seus cálculos sozinhos pela internet, sempre haverá o contato, e o acompanhamento, de um profissional antes da contratação efetiva.

A verdade é que, de um modo geral, as empresas do mercado de seguros evoluíram bastante nos últimos anos, tanto no processo de contratação quanto no do pagamento de sinistros. A fiscalização da Susep também tem se mostrado mais efetiva, garantindo que o setor fique cada vez mais robusto e confiável.

Eu acredito que mantendo distância das empresas que trabalham à margem da lei e se preocupando com as dicas de segurança dificilmente o cliente terá surpresas.

O fator financeiro continua sendo a principal causa de problemas. O custo do seguro ainda pesa bastante, como no caso dos automóveis, por exemplo. As altas taxas de violência no Brasil vêm gerando enorme impacto nos preços. Algumas vezes, o brasileiro acaba caindo em armadilhas como a contratação de um seguro mais “barato”, como sugerido por algumas propagandas. Por isso, é importante que o cliente esteja ciente que não é possível que haja uma diferença financeira tão grande na contratação de coberturas semelhantes. É importante lembrar que existe um custo associado a qualquer garantia contratada e neste ramo ele não pode ser tão barato em relação aos riscos envolvidos.

*Ianz Monteiro do Rio é CEO da Smartia

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