O caminho do sucesso na inclusão de PcD na sua empresa

O caminho do sucesso na inclusão de PcD na sua empresa

Alexandre Amorim*

06 de agosto de 2020 | 07h25

Alexandre Amorim. Foto: Divulgação

No Brasil, as PcD sempre tiveram dificuldades no mercado de trabalho, principalmente pelo preconceito e a falta de informação da sociedade como um todo. Essa realidade vem sofrendo alterações desde o final do século XX, quando é possível destacar o ano de 1989 como um grande marco institucional para esse grupo, pois nele foi introduzido a primeira lei de cota para pessoas com deficiência. 10 anos depois, essa lei foi ampliada para empresas privadas. 

A Lei de Cotas estabeleceu que instituições com mais de 100 funcionários precisam incluir pessoas com deficiência em seu quadro de colaboradores, entretanto a realidade ainda segue distante do ideal. Ao fazer um rápido levantamento de dados sobre o assunto, é possível perceber a realidade desse grupo em nosso país. Por exemplo, uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que dos 15 milhões de PcD em nosso país, apenas 486 mil estão no mercado de trabalho, número que escancara a falha no sistema de contratação. 

Essas resistências ainda ocorrem, principalmente, pela falta de informação e disseminação de estereótipos infundados, como a ideia de uma PcD não conseguir realizar suas funções em uma empresa ou que o tempo para sua adaptação seria custoso e demorado para a instituição. Outro ponto importante que devemos ressaltar é o papel do departamento de Recursos Humanos, que deve sempre se informar e adequar a realidade das PcD, levando em conta suas habilidades, possibilidades e deficiências.

É crucial que a empresa tenha valores para a inclusão da pessoa com deficiência em seu quadro de colaboradores.  A estrutura de RH da empresa precisa comprar a ideia e se posicionar para que a cultura da companhia tenha diversidade e inclusão. Trabalhando com os colaboradores e a liderança da instituição, é possível extrair todo o potencial das PcD, dando as ferramentas e suporte necessários para que elas possam se destacar na empresa.

Dentre algumas práticas que podem ser adotadas no âmbito profissional, podemos destacar que a instituição necessita sensibilizar toda sua equipe de funcionários para que eles estejam abertos ao processo de inclusão. Para isso, é possível realizar e participar de workshops de inclusão, trabalhar as barreiras comunicacionais e transformar a empresa em um local mais acessível, com rampas e adotar a linguagem de libras e braile, por exemplo. Mas isso é falando da parte prática, de ambiente. E como está a política de inclusão em cargos e carreiras nas empresas? Nem todas estão preparadas para isso ainda.

Com o intuito de auxiliar na difusão de informações sobre o assunto, nasceu a ASID (Ação Social para Igualdade das Diferenças) organização que tem como missão construir uma sociedade mais inclusiva para as pessoas com deficiência. Muitas empresas incluem as PcD apenas para cumprir a Lei de Cotas, mas é necessário que essa realidade mude e os contratantes vejam o real potencial dessas pessoas. A ASID tem esse propósito, promover o empoderamento, desenvolvimento e a inclusão desse grupo de pessoas.

Por outro lado, há histórias incríveis de instituições onde a inclusão de pessoas com deficiência e tais colaboradores transformaram o local de trabalho, fazendo todos repensarem e aprenderem diversos conceitos novos. Isso só mostra como a inclusão é benéfica para todos.

Gestores e empresários precisam entender que a inclusão é uma realidade e que empresas que não se adaptarem a isso, vão acabar se tornando obsoletas. Fazer parte dessa diversidade já tem feito a diferença nos negócios, no posicionamento das companhias e na forma como todos os públicos enxergam a corporação. Há muitos exemplos positivos de inclusão para se inspirar. Basta estar aberto a essas oportunidades.

*Alexandre Amorim é diretor executivo e Co-Fundador da ASID Brasil

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