O Brasil vive uma guerra sem líder e plano de enfrentamento

O Brasil vive uma guerra sem líder e plano de enfrentamento

Ademar Batista Pereira*

16 de março de 2021 | 07h15

Ademar Batista Pereira. FOTO: DIVULGAÇÃO

O mundo vem enfrentando uma guerra contra um ser minúsculo chamado “novo coronavírus”. Trata-se de um vírus habilidoso, especialista em contágio, que ataca em diversos pontos do organismo e, infelizmente, tem levado a óbito centenas de milhões de pessoas. O microrganismo não é novidade para a espécie humana; pelo contrário, os vírus e bactérias são responsáveis pela vida que levamos, poucos são “patogênicos”, causando mal à saúde, apenas para ilustrar, temos vírus da gripe, AIDS, ebola, da dengue, etc.

Esse é conhecido, por isso nome novo, mas não sabemos onde pode atacar, como combater e a humanidade está numa batalha mortal, pois o enfrentamos em todos os continentes, independente de temperatura, população, cultura, etnia. Ele não escolhe o indivíduo e já matou mais de 2,57 milhões de pessoas no mundo desde o final de dezembro de 2019, segundo dados da agência de notícias AFP, levantados a partir de fontes oficiais.

A COVID-19 é a doença causada pelo novo coronavírus e se tornou pandemia mundial. Afinal de contas, mais de 115.568.760 casos de infeção foram oficialmente diagnosticados no período de 15 meses, e as previsões não são animadoras.

Logo, podemos chamar de guerra contra à Covid-19. Para enfrentar a batalha, precisamos de liderança e plano de enfrentamento. O Brasil nunca enfrentou uma guerra geral, a exemplo da Segunda Guerra na Europa. Nossa cultura é astuta para o benefício privado e, por esse comportamento, acabamos elegendo governantes populares, que buscam se manter prestigiados. Estes muitas vezes não têm preparo para liderar catástrofes, como a atual. A começar, se denominam “donos” dos país, dos estados, das cidades. Observe como falam em seus discursos “meu país, minha cidade, meus ministros/secretários, meu estado”.

Para a guerra contra a Covid-19 precisamos dos “soldados”, que são os médicos, enfermeiros, funcionários dos hospitais, produtores de medicamentos e equipamentos hospitalares, do transporte desses insumos, etc. Enquanto isso, qual é a preocupação dos “líderes” com a alimentação dos soldados, com os filhos deles, alojamento, transporte? Penso que nas cidades poderíamos ser convocados como voluntários para cozinhar, atender na recepção dos hospitais, ajudar a carregar macas, limpar o jardim dos centros de operações, etc. Porém, sem um líder e plano, ficamos discutindo para ver quem tem razão. Os prefeitos culpam o governador e vice versa, os governadores culpam o presidente e vice versa.

Escolas são serviços essenciais e estratégicos, pois ajudam no enfrentamento da guerra para atender os filhos de quem precisa trabalhar e manter a cadeia produtiva.  A exemplo, com quem ficam as crianças das pessoas que estão nas chamadas atividades essenciais? Com os avós, que são grupo de risco. Com a vizinha, que não sabemos se está seguindo as medidas de segurança. Com uma babá, que também se expõe no deslocamento por meio do transporte público e assim por diante. A escola precisa preparar a próxima geração para o pós-guerra. Que sociedade teremos daqui a 20 anos? Serão tempos difíceis.

A luta é contra a Covid-19 e a culpa é do vírus. O fato é que não temos um líder e, quando falo em líder, me refiro ao presidente, governador e prefeito, que foram eleitos para liderar a sociedade para um mundo melhor. E agora, no meio da guerra, ao invés de fazer um plano, liderar a sociedade para que juntos possamos sobreviver, colocam uns contra os outros, ficam discutindo para decidir quem tem razão, desorganizando ainda mais a sociedade e a economia.

Cadê o Líder? Onde está o plano?

*Ademar Batista Pereira é presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP)

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