O Brasil quebrou. De novo

O Brasil quebrou. De novo

Perspectivas para M&A em 2019

Ricardo Chamon*

14 de fevereiro de 2019 | 04h00

Ricardo Chamon. FOTO: DIVULGAÇÃO

Diversas empresas que vinham fazendo as lições de casa para poderem se qualificar para receber investimentos de terceiros tiveram que abandonar os planos, mudar radicalmente de rumo e tentar sobreviver.

Existe um oceano de empresas que se endividaram fiscalmente já que os bancos fecharam as torneiras, o mercado deixou de consumir, a geração de caixa ficou negativa e o único jeito de pagar integralmente a folha e os fornecedores passou a ser a inadimplência e/ou sonegação de tributos.

Ainda que o cenário econômico tenha melhorado, após as eleições, em termos de expectativas, não há ainda nenhum traço de euforia para a retomada dos investimentos, mas sim um mero esboço de destravamento de projetos que estavam engavetados. A euforia poderá até vir, desde que as reformas aconteçam rapidamente, a começar pela previdenciária.

O Brasil virou um parque de diversões para investidores de “distressed”, que possuam competências necessárias para “turnaround”, prestígio junto aos bancos (credores) e acesso a recursos financeiros para investir e sanear empresas.

Esses investidores é que terão muitas oportunidades para requalificar empresas para receberem investimentos de private equity e estratégicos.

Também os grupos econômicos que sobreviveram bem à quebradeira e tiverem orientação para o crescimento inorgânico e skills bem desenvolvidos em M&A, terão excelentes oportunidades de adquirir bons negócios em condições muito vantajosas, inclusive no contexto de recuperações judiciais (UPIs) e falências (arrendamentos e leilões).

Não voltaremos, portanto, ao contexto de M&A anterior à crise. Será diferente e exigirá muito mais expertise dos operadores (assessores financeiros e advogados) do que o cenário anterior. Sem falar que as “due diligences” tenderão naturalmente a recrudescer muito especialmente no que se refere a “compliance”.

Existe sim um pote de ouro no final do arco-íris, mas a ginástica para se chegar até lá exigirá muito mais sacrifícios daqueles que hoje se encontram muito machucados. Correndo em paralelo, num mundo à parte, apenas os negócios de tecnologia e infraestrutura.

Tecnologia passou a ter os family offices locais também como potenciais investidores e infraestrutura continuará chamando muito a atenção dos grandes investidores, por muito tempo.

Caberia ao novo governo federal, nesse contexto, incentivar os investimentos em reestruturação de empresas, talvez através do BNDES e de estímulos fiscais, pois as pequenas e médias empresas, que sobreviveram a duras penas a uma crise sem precedentes, empregam milhões de trabalhadores e pouco interessaram às gestões que tanto privilegiaram, nos últimos 15 anos, as campeãs nacionais.

*Ricardo Chamon é sócio-fundador do CSA – Chamon Santana Advogados

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: