O Brasil precisa de uma infusão de ânimo… e de cânhamo!

O Brasil precisa de uma infusão de ânimo… e de cânhamo!

Marcelo de Vitta Grecco*

17 de outubro de 2020 | 04h30

Marcelo De Vita Grecco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vai demorar para o brasileiro voltar a viajar tranquilamente para o Exterior, mas quando isso acontecer novamente ele certamente vai se surpreender ao encontrar tantos alimentos e bebidas feitos com CBD na Europa e Estados Unidos. E ficará mais surpreso ainda ao saber que o CBD é um dos muitos compostos da cannabis, extraído do cânhamo – também chamado de hemp. Posso apostar alto que vai bater curiosidade e nosso viajante vai experimentar o alimento, mas ele não vai “viajar” como imaginava. Pelo simples fato de o CBD não ser psicoativo. Esse papel cabe ao THC, mas não é dele que estamos falando.

Produtos como chás, cafés, chocolates, vinhos, cervejas, águas, entre muitos outros, já se encontram hoje disponíveis em prateleiras de redes de varejo e dispensários de vários países. Atendem, principalmente, consumidores em busca de alimentos saudáveis, qualidade de vida e bem-estar. Em um ano tão difícil como 2020, as vendas de alimentos e bebidas com infusão de cannabis devem aumentar 40% sobre o ano anterior nos Estados Unidos. Em cifras significa quase US$ 3 bilhões! O consumo desse tipo de produto no mercado norte-americano representa 14% das vendas, atrás apenas do consumo da flor da cannabis e vaporizador (vape).

O que empresas como Heineken, Constellation Brands (controladora da cerveja Corona), Anheuser-Busch Inbev, Ben & Jerry’s, Coca-Cola, Target, Walmart têm em comum? Assim como tantas outras, elas lançam produtos ou estudam oportunidades para distribuir produtos com infusão de CBD em vários mercados ao redor do mundo. Além dessas gigantes, há imensa quantidade de start-ups no jogo, prontas para faturar alto. O avanço só não é maior porque ainda há pendências em regulamentações a serem estabelecidas pela FDA (Food and Drug Administration) e órgãos semelhantes de outros países.

Assim como a chia ou a stevia, o cânhamo pode ser classificado como um “novel food”, como são chamados os alimentos desconhecidos do mercado europeu até maio de 1997. Para serem comercializados precisam ser aprovados pelas autoridades da União Europeia.

Enquanto isso, no Brasil, nós desperdiçamos chances de avançar economicamente em razão de desconhecimento e preconceito. Em julho do ano passado, decreto presidencial abriu caminho para que cervejas possam ser produzidas com substitutos de lúpulo, espuma artificial ou qualquer tipo de corante. Por que não, então, com infusão de CBD? Precisamos entrar no mapa mundial e recuperar o equilíbrio financeiro da população e do País que, neste momento, vivencia uma queda significativa do seu Produto Interno Bruto.

Temos muitas oportunidades pela frente. De imediato, a matéria-prima precisaria ser importada, não tem outro jeito. Mas com o cultivo do cânhamo em solo brasileiro os rumos dessa história mudariam expressivamente. E não apenas em relação a alimentos e bebidas. Da planta do cânhamo tudo se aproveita e se transforma em mais de 25 mil produtos. Várias indústrias, de start-ups a grandes conglomerados, poderão se beneficiar desse novo insumo, seja no setor de construção civil, beleza e bem-estar, têxtil e tantos outros. Isso sem falar do benefício a ser gerado a pequenos, médios e grandes agricultores de todo o país.

O Brasil precisa dessa infusão de ânimo! Mais do que um trocadilho, uma realidade a ser modificada urgentemente.

*Marcelo De Vita Grecco é cofundador e diretor de Desenvolvimento de Negócios da The Green Hub

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