O Brasil é maior

O Brasil é maior

Vilmar Rocha*

18 de agosto de 2021 | 15h14

O Brasil pode caminhar para uma encruzilhada em 2022. Mas não precisamos necessariamente persistir nessa dualidade entre uma opção rechaçada em 2018 e o populismo de extrema-direita, que vem se desgastando desde que foi alçado ao poder.

Vilmar Rocha. Foto: Divulgação.

O país, em vários outros momentos de sua história, experimentou dilemas como esse, de caráter peremptório, e a questão que sempre se coloca é como enfrentar esses desafios. Haja vista que as escolhas que se fazem definem o grau de sucesso ou de fracasso para a sociedade.

Nas últimas eleições gerais, o recado das urnas foi claro: a sociedade não compactua com a corrupção. A rejeição ao candidato do PT deu visibilidade a um crescente desagrado do eleitor com a relativização de valores e princípios caros aos brasileiros.

As legítimas bandeiras liberais e conservadoras dissimularam o ideal autoritário de Jair Bolsonaro, que atua em consonância com os avanços da extrema-direita em todo o mundo. O individualismo, a liberdade e a tradição deram lugar ao populismo baseado em valores incompatíveis com a democracia, escamoteados no bordão: Deus, pátria e família.

Dissemina-se que em 2022 o eleitor brasileiro terá como únicas opções viáveis voltar ao passado com o PT – que em seus 13 anos institucionalizou a corrupção e inaugurou no país o populismo de esquerda, debilitando nossa economia – ou continuar com o populismo de direita com tendencias autoritárias de Jair Bolsonaro – um político que demonstrou seu total despreparo para comandar o país.

Esse cenário plebiscitário e polarizado só interessa aos dois campos, que se repelem e se atraem. Não interessa à sociedade.

Os efeitos da pandemia de Covid-19 na economia, na geração de emprego, na saúde e na educação devem perdurar por pelo menos uma geração. No Brasil, onde a gestão do combate ao coronavírus foi tão nefasta quanto o próprio vírus, apenas muito planejamento associado a um profundo conhecimento em políticas públicas poderá trazer o país à normalidade nesse espaço de tempo.

O debate sobre a sucessão presidencial não deve se limitar ao tacanho desenho forjado pelos mais extremistas.

Vivemos tempos semelhantes à década de 1980, quando nós, lideranças do campo liberal, unimo-nos para criar a Frente Liberal, que evoluiu para a Aliança Democrática e alicerçou a Nova República, as eleições diretas para presidente, a Constituição de 1988 e as reformas econômicas dos anos 1990. Como deputado federal, participei diretamente de todas essas formulações, que estão na base das melhorias das condições de vida do povo brasileiro.

É missão dos líderes democratas do país identificar um nome que possa liderar e aglutinar as forças majoritárias na política e também no campo social, comunitário, econômico, cultural, acadêmico, além da gente do povo, para construir um novo programa para o Brasil, que fortaleça a democracia, impulsione o desenvolvimento e nos traga paz.

Busquemos no pensamento do grande Juscelino Kubistchek a inspiração para enfrentarmos essa encruzilhada que querem nos impor, acreditando sempre “no triunfo do espírito que afirma e deseja a grandeza nacional, no espírito que se opõe à negação, a descrença, ao ressentimento estéril.”

*Vilmar Rocha, ex-deputado federal, presidente do PSD Goiás e coordenador de Relações Institucionais da Fundação Espaço Democrático, do PSD

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