O bom debate

O bom debate

Marcio Grazino*

21 de janeiro de 2020 | 03h00

Marcio Grazino. FOTO: DIVULGAÇÃO

Há alguns anos, se ouvia com frequência que o brasileiro era pouco politizado. E esse desinteresse da população pela política sempre esteve associado às muitas mal avaliadas administrações públicas que o País vem suportando, entra governo e sai governo, desde 1500.

A situação mudou. Para pior. Hoje, o envolvimento com a política de grupos à direita, esquerda e centro está longe de ser saudável. As pessoas, em vez de discutir, passaram a brigar por política. Era melhor quando não ligavam para o assunto.

O debate político em 2020 se assemelhou ao futebol. Cada um tem um time defendido incondicionalmente, inclusive ignorando a realidade, se necessário. Para o debatedor mais engajado, aquele que faz bastante barulho, sobretudo nas redes sociais, sua opinião é mais importante do que os fatos. E o objetivo da disputa política, ele está convencido, é exclusivamente fazer predominar o seu ponto de vista.

Essa abordagem é marcada principalmente pela crítica, reclamação e incitação. Dificilmente se observa qualquer tipo de proposta. Todas as energias são concentradas no combate e desqualificação dos adversários, não importa se necessário lançar mão de manipulação, distorção e mentira deslavada. Os fins justificam os meios.

Estamos vivendo um ambiente tóxico, que deve ser oxigenado pela maioria com bom senso. Chegou a hora de gente que acredita no debate construtivo tomar a frente da discussão. É preciso esclarecer novamente, principalmente aos mais jovens, que o contraditório tem valor e não pode ser tratado como ofensa. Nós, e nossas crenças e ideologias, não temos as respostas para todas as perguntas. Ouvir os outros, mesmo os que consideramos antagonistas em alguma questão, sempre nos faz aprender e progredir.

Ao mesmo tempo, temos que lembrar que, diferente do futebol, em política estamos todos no mesmo time, que é o Brasil. Governos vêm e vão, mas o País e os recursos para tornar a vida da população melhor devem permanecer e é por eles que temos que lutar. Não é certo torcer por políticos. Temos que torcer pelo Brasil.

O poeta Ferreira Gullar dizia que preferia ser feliz a ter razão. Hoje eu posso achar que determinada orientação política vai melhorar o país, mas em breve percebo que estou errado, que o melhor é o oposto do que eu estava pensando. Tudo bem, porque o importante é o Brasil dar certo. E pelo menos eu não vou lutar contra isso apenas para provar que estou certo. Prefiro que a gente seja feliz.

*Marcio Grazino é empresário

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