O bem-estar financeiro é um grande aliado da produtividade nas empresas

O bem-estar financeiro é um grande aliado da produtividade nas empresas

Gustavo Raposo*

26 de agosto de 2021 | 04h30

Gustavo Raposo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é costume do brasileiro falar sobre isso, mas a falta de cuidado com o dinheiro e o acúmulo de dívidas são fatores que causam a queda de produtividade das pessoas em seus trabalhos. Além disso, podem gerar outros problemas como noites mal dormidas, dificuldades para estabelecer a boa convivência e até mesmo crises de ansiedade. Segundo dados da pesquisa anual da consultoria PwC sobre bem-estar financeiro dos colaboradores, Employee Financial Wellness Survey, divulgados em 2019, 59% dos entrevistados apontam o dinheiro — ou a falta dele — como seu principal motivo de estresse no ambiente corporativo. Ainda de acordo com o estudo, 35% dos entrevistados disseram que as preocupações com dinheiro causam perda de foco e distrações durante o expediente.

A educação financeira seria um importante elemento para a mudança de chave dos brasileiros em relação à falta de dinheiro, mas ainda estamos longe de tornar essa solução viável. Segundo o ranking global, que mede o nível de educação financeira de 144 países, o Brasil aparece na 74° colocação, com apenas 35% de sua população apta a responder questões simples sobre o tema.

Vale ressaltar ainda, que o brasileiro de classe média é cinco vezes menos letrado financeiramente que o americano pertencente à mesma classe. Ou seja, nós crescemos sem criar o hábito de falar sobre finanças e sofremos com isso na vida adulta, seja como colaborador ou empreendedor. O estresse financeiro dos integrantes de uma equipe, pode impactar diretamente nos custos da folha de pagamento de uma empresa. Isso acontece porque colaboradores com dívidas, preocupados com contas atrasadas ou com problemas de planejamento financeiro acabam sendo menos produtivos do que deveriam em suas horas de trabalho.

Por isso, eu sempre reforço que é importante o gestor ter um olhar mais criterioso em relação ao bem-estar do seu colaborador como um todo. Acredito bastante que a gestão de pessoas precisa ter como objetivo principal a possibilidade de oferecer satisfação profissional ao empregado, alinhados, é claro, com os objetivos da empresa. No entanto, ao longo da jornada do colaborador, é comum perder um pouco da motivação, mas isso é um fator que o RH precisa modificar já que um funcionário desmotivado pode acabar comprometendo os indicadores de produtividade de toda a empresa.

O que precisamos ter em mente é que não é só o salário que muda a vida. Os benefícios corporativos funcionam como uma espécie de combustível e premiação. Há diversos serviços e planos que as organizações podem oferecer aos colaboradores. As vantagens são inúmeras como: aumento no engajamento e, consequentemente, na produtividade dos colaboradores; proporciona maior segurança financeira; faz com que os profissionais se sintam valorizados; e fideliza os melhores trabalhadores na empresa

É importante que tenhamos o hábito de manter uma atenção especial e particular com cada colaborador. Bem-estar financeiro e produtividade devem andar de mãos dadas. Um complementa o outro. Pensando nisso, listei três dicas importantes que podem ajudar você a mudar esse cenário.

  1. Identifique quais as necessidades dos seus colaboradores: há diferentes tipos de benefícios corporativos no mercado, mas é preciso entender quais podem trazer impacto para os colaboradores. Caso a equipe seja formada por mães e pais de crianças pequenas, por exemplo, pode valer a pena disponibilizar auxílio-creche. Afinal, eles desejam um lugar seguro para deixar os filhos sem que precisem mexer tanto no orçamento. Para equipes mais jovens, planos para usar a academia e praticar esportes também são ótimas alternativas. Mesmo quem não segue essa rotina pode mudar os hábitos para aproveitar o benefício.
  2. Oferecer benefícios que atendam necessidades personalizadas: embora já existam muitos benefícios voltados para os cuidados com saúde mental, qualidade de vida e outros, ainda há muito o que se explorar para melhorar diferentes áreas da vida. Os gestores podem ir além e contratar, por exemplo, serviços que são voltados para o bem-estar financeiro dos profissionais, promovendo a cultura da educação para que todos saibam cuidar melhor do seu dinheiro. Para isso, é necessário analisar cada caso e desenhar um plano estratégico, buscando assim soluções personalizadas já que problemas financeiros são comuns em boa parte da população. A falta de conhecimento básico sobre finanças pessoais, resultando em má gestão do dinheiro é um dos fatores que mais afeta e impacta negativamente a produtividade do trabalho.
  3. Saiba sobre a satisfação dos colaboradores: se preferir, pode ser interessante realizar uma pesquisa interna para entender e identificar quais os benefícios corporativos mais adequados à realidade dos funcionários. Você pode apresentar algumas dicas para eles opinarem como: planos de aposentadoria corporativa por fases, auxílio saúde, maior flexibilidade no trabalho, incentivo ao desenvolvimento intelectual, entre outros.

*Gustavo Raposo, sócio-fundador e CEO da fintech Leve

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