O amor de Mayê

O amor de Mayê

João Linhares Júnior*

03 de abril de 2022 | 05h30

Mayê sentia o cheiro dela e a ouvia…

Sabia que estava perto e que o aguardava, embora escondida.

Desejava-a ardentemente e a procurou tanto que a encontrou.

Almejava possuí-la apenas para si.

Quando a viu, não se conteve e correu em sua direção para abraçá-la, mas foi repelido num forte e repentino repuxo, tendo ela o derrubado e saltado brevemente em cima dele. Estava agitada, estranhava-o, até porque não era acostumada a visitas de homem.

Ele se levantou após o tombo e a fitou longamente.

Começou a acariciar suas úmidas e cativantes paisagens, gerando uma sintonia inesperada. Ela correspondeu com calma e frescor, conquanto estivesse quente, muito quente.

O coração dele disparou e então se aproveitou para passar suavemente as mãos ondulantes sobre ela e lhe falar coisas íntimas, abrindo-lhe os seus sentimentos mais recônditos. Ele tremia de excitação, ao passo que ela espumava. E, assim, o convidou para deitar-se sobre ela e Mayê o fez vagarosa e delicadamente.

Ele nunca teve uma sensação tão sublime.

Num ato de amor genuíno, sem ninguém por perto, longe de tudo, ambos se conheceram, tornaram-se amantes e confidentes.

Mayê perguntou-lhe o nome e ela sussurrou na areia enquanto molhava os pés dele e massageava suas costas e pernas:

– Sou a Praia de Iriri.

*João Linhares Júnior, integrante da Academia Maçônica de Letras de MS. Promotor de Justiça. Mestre em Garantismo e Processo Penal pela Universidade de Girona/Espanha e especialista em Direito Constitucional pela PUC/RJ

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