O alvo do arco de Janot

O alvo do arco de Janot

Na arguição de suspeição do procurador-geral da República, defesa do presidente alega que 'perseverança de Rodrigo Janot está sangrando não o presidente, mas a tranquilidade do país'

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Julia Affonso

08 Agosto 2017 | 17h12

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

No pedido de suspeição – e impedimento – do procurador-geral da República, a defesa de Michel Temer afirma que a ‘perseverança (de Rodrigo Janot) está sangrando não o presidente, mas a tranquilidade e o desenvolvimento do país’.

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Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, o experiente criminalista que defende e aconselha Temer, atacou em oito capítulos a conduta de Janot, que denunciou o presidente por corrupção passiva no caso JBS.

Um capítulo, o primeiro da série, é sobre as ‘flechadas’ de Janot. Recentemente, o procurador declarou que ‘enquanto houver bambu, lá vai flecha’, ao responder uma indagação sobre o que vai fazer até o término do seu mandato, em setembro.

A primeira denúncia de Janot contra Temer foi barrada na Câmara. O procurador estaria prestes a apresentar uma nova acusação, desta vez por obstrução de Justiça ou organização criminosa.

“Agora, mesmo na falta de bambu, o procurador-geral pretende atingir o presidente da República valendo-se de uma intitulada ‘readequação’ (?!) para incluí-lo no bojo de um Inquérito Policial já em curso, mesmo sem fatos específicos a autorizar a adição”, sustenta a defesa do presidente.

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“Em verdade, retirada a ornamentação retórica, excluído o eufemismo, a tal da ‘readequação’ nada mais é do que uma insistente tentativa em investigar e, para usar a expressão cara ao próprio procurador-geral, flechar o requerente”, segue Mariz.

“Fazendo ressuscitar o Direito Penal do Autor, o procurador-geral não se ocupa da investigação de acontecimentos delimitados: O alvo do seu arco é a pessoa do presidente da República, não importam os fatos.”