Nunca na História desse país…

Nunca na História desse país…

Jorge Pontes*

20 de junho de 2017 | 04h45

Jorge Pontes. FOTO: Arquivo Pessoal

Obviamente que o PT não inventou todos esses esquemas de corrupção, pois muitos deles existiram desde e a partir da redemocratização. Uns, inclusive, até antes de 1985.

E a corrupção já existia até de forma sistêmica mas era operada em “igrejinhas”, sem essa transversalidade e centralização que o PT produziu.

Na gestão petista da corrupção, foi inaugurado o Crime Institucionalizado, no qual a Casa Civil, com o aval necessário e instrumental do Presidente da República, construiu um governo que – paralelamente e tão importante quanto – governa e (também) desvia bilhões.

O veio central de recursos eram os grandes contratos de obras e serviços públicos, e o garimpo era feito nas estatais, nas empresas públicas, nos ministérios, enfim, nas empresas de administração direta e indireta.

O crime é institucionalizado pois se utiliza do poder central, nuclear e constitucional, para orquestrar uma máquina de desviar recursos, influenciando institucional e transversalmente os outros dois poderes, o Judiciário e o Legislativo.

Não há atores marginais nesse flagelo. São todos nucleares. O Crime Institucionalizado tem outro conceito. Ele ocorre de cima para baixo. Se não houver quebra de paradigmas e aprovação de outras ferramentas, as instituições não terão como combatê-lo. Temos que entender que estamos combatendo aqueles que nomeiam os nossos chefes.

O Diário Oficial e a caneta do Presidente da República são as armas mais poderosas do Crime Institucionalizado, que se encontra cem andares acima do crime organizado comum, principalmente em termos de periculosidade e capacidade de danos ao projeto nacional.

José Dirceu conheceu, abençoou e tocou os velhos esquemas pre-existentes, levando-os para dentro da Casa Civil. Lá ele construiu uma holding da corrupção. Enfim, levou a prancheta desses esquemas para dentro do governo, de onde os coordenou e controlou.

Não os deixou de forma esparsa e desligados entre si, conectou-os tendo como epicentro a inteligência governamental, e fez com que o PT e o seu projeto de poder levasse vantagem em todos eles. O Governo Lula, desde o início, se comprometeu com os esquemas e os institucionalizou em proveito próprio.

A Casa Civil nomeou gente pra roubar e, também, pra proteger suas condutas no STF e STJ. Eram as já ditas “equipes de socorro” das quais toda máfia volta e meia precisa.

Esses governos lulopetistas não escolheram e nem nomearam nenhum PGR ou ministro de tribunal superior que não fosse bem alinhado com as ideologias de esquerda. Com isso, o Crime Institucionalizado teria sempre uma expectativa de que esses ministros e agentes políticos se refreassem nas investigações e nos processos. Uns de fato criminosamente, outros como inocentes úteis.

O projeto petista emprestou caráter tentacular à corrupção. Isso ninguém tinha feito, com tamanha amplitude, sofisticação e descaramento.

Essa é a grande diferença da gestão petista sobre a corrupção em relação às outras gestões. Estamos estudando e comprovando esses fatos. Eles, o PT, fizeram melhor do que todos nesse campo.

Fizeram tão bem que trouxeram para dentro do seu projeto criminoso políticos desonestos como Temer (que por sua vez trouxe as igrejinhas do PMDB em peso), na condição de vice-presidente figurativo.

A sociedade brasileira agora percebe que partidos são empreendimentos criminosos com fachada de agremiações políticas, são empresas do crime. O PMDB e o PSDB são dois exemplos dessa teoria. São velhas oligarquias que existem com o fim em si próprios. São comandadas pelos mesmos caciques há décadas.

Esses partidos e esses políticos vendidos foram peças (soldados) importantes para o sucesso da institucionalização do crime, na gestão petista.

Mas enquanto esses partidos atuavam como “empresas estanques”, o PT se arregimentava como uma holding da corrupção, criando então esse animal chamado Crime Institucionalizado.

Nada do que está escrito nesse texto é novidade. Estamos alertando para isso desde o fim do segundo Governo Lula e início do primeiro Governo Dilma.

Por oportuno, é natural que os canhões agora apontem para Michel Temer, e para as facções criminosas (a coligação) que o apoiam PMDB/PSDB pois ele, apesar de não ter sido o arquiteto desse flagelo, é um velho operador da corrupção sistêmica e, principalmente, porque está sentado na cadeira do Presidente, com a caneta na mão e o Diário Oficial ao seu dispor.

Nada mais urgente do que atingir um ladrão que detém o poder.

E assim como foi prioritário torpedear Dilma em 2015 e 2016, é necessário hoje alvejar Temer. Ninguém em sã consciência pode acreditar que as reformas que estão sendo feitas a toque de caixa, tão necessárias de fato, não estão sendo mercadejadas e tendo seus dispositivos vendidos e comprados por centenas de milhões de Reais, por grupos que lucrarão com a nova ordem previdenciária e trabalhista. Esse governo não tem moral e legitimidade nem para reformar um kitinete.

Por outro lado, não há dúvidas de que Rodrigo Janot não teve com Dilma Rousseff, nem um décimo do furor denunciatório que demonstra agora com Temer.

Seria melhor que tivesse tido, para o bem de sua própria biografia. Paciência…

Mas enfim, o PT inventou o Crime Institucionalizado e foi apeado do poder pela Lava Jato e pelos movimentos de rua que se seguiram, contudo, ninguém pode dormir em paz nesse país enquanto estivermos sob o comando de ladrões, e apoiado por uma coligação de estelionatários políticos.

E nesse momento é isso que ocorre.

*Jorge Pontes é Delegado de Polícia Federal e foi Diretor da Interpol no Brasil

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