‘Nunca me calarei’, reage Gilberto Carvalho

‘Nunca me calarei’, reage Gilberto Carvalho

Ex-ministro do Governo Dilma Rousseff lamenta condenação de Sombra, do caso Celso Daniel, e se diz indignado com juíza que afirmou em sentença que ele e ex-ministra Miriam Belchior 'cederam à corrupção' em Santo André

Ricardo Galhardo

26 Novembro 2015 | 07h00

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Gilberto Carvalho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente do conselho nacional do Sesi e ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, contestou em e-mail enviado ao Estado nesta quarta-feira, a sentença da juíza da 1a Vara Criminal de Santo André, Maria Lucinda da Costa, que acusa a ele e à presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, de “cederem à corrupção” quando participaram da gestão do petista Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002, na cidade de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo).

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Carvalho também lamenta a condenação de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Oliveira Souza, a penas que variam entre 10 anos e 15 anos de prisão por um suposto esquema de corrupção na prefeitura de Santo André.

“O que espanta e causa indignação é que a juíza, ao longo da sentença, faz ilações absurdas envolvendo meu nome e da atual presidente da Caixa Econômica Federal, sem que nos autos exista a mínima prova a respeito de nosso envolvimento nos fatos descritos e mais, afirmando que nós não só cometemos corrupção como contribuímos, no plano federal, para a “proliferação do esquema maléfico”. De onde a Dra. Maria Lucinda tirou provas destes fatos?”, questiona Carvalho.

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Na sentença, a juíza acusa os ex-ministros petistas de permitirem a proliferação da corrupção em esfera federal embora nem Carvalho nem Miriam tenham sido sequer citados durante a instrução do processo.

No e-mail ao Estado, Carvalho disse estar preocupado com o estado de saúde de Sombra e acreditar na reversão da sentença em esferas superiores da Justiça.

“Evidentemente que me entristece esta notícia, até pelo delicado estado de saúde de Sérgio Gomes, cuja vida foi destruída com as acusações nunca provadas de seu envolvimento com a morte de Celso Daniel. Sentença judicial aprendi, não se discute. Cumpre-se e os advogados já estão entrando com os recursos cabíveis, que, espero, possam modificar esta sentença”, afirmou.

Leia a íntegra do e-mail enviado pelo ex-ministro

“Recebi a informação pelo Jornal O Estado de São Paulo a respeito da condenação, em primeira instância, de Sérgio Gomes da Silva, Klinger Sousa e Ronan Maria Pinto pela juíza Dra. Maria Lucinda da Costa. Evidentemente que me entristece esta notícia, até pelo delicado estado de saúde de Sérgio Gomes, cuja vida foi destruída com as acusações nunca provadas de seu envolvimento com a morte de Celso Daniel. Sentença judicial aprendi, não se discute.

Cumpre-se e os advogados já estão entrando com os recursos cabíveis, que, espero, possam modificar esta sentença.

O que espanta e causa indignação é que a Juíza, ao longo da sentença, faz ilações absurdas envolvendo meu nome e da atual presidente da Caixa Econômica Federal, sem que nos autos exista a mínima prova a respeito de nosso envolvimento nos fatos descritos e mais, afirmando que nós não só cometemos corrupção como contribuímos, no plano federal, para a “proliferação do esquema maléfico”. De onde a Dra. Maria Lucinda tirou provas destes fatos, quando nunca foi comprovada a acusação feita contra mim por João Francisco Daniel, que teve que se retratar num acordo judicial com José Dirceu e testemunhas importantes negaram tal afirmação no processo Cível? De onde tirou provas desta atuação quando, após 12 anos a serviço do Governo Federal não houve nenhum fato real, comprovado, de prática de corrupção por nós praticado?

O absurdo praticado pela Juíza é que nem eu, nem Miriam Belchior fomos denunciados pelo Ministério Público neste processo. Não fomos citados a dar qualquer depoimento e, portanto, não tivemos direito à defesa destas acusações que ela, levianamente, agora na sentença nos atribui

Nunca me calarei, nunca nos calaremos, diante de afirmações levianas como esta, venham de onde vier. Minha honra, nossa honra é nossa única riqueza real. Dela jamais abriremos mão.”

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