Número de mulheres investidoras cresce na Bolsa de Valores: saiba qual é o impacto disso

Número de mulheres investidoras cresce na Bolsa de Valores: saiba qual é o impacto disso

Thamires Ferreira*

19 de janeiro de 2020 | 10h00

Thamires Ferreira. FOTO: DIVULGAÇÃO

A emancipação das mulheres é um fato recente na história brasileira: desde 1891 a Constituição Brasileira em vigor, já permitia o voto feminino. No entanto, a decisão foi vetada na época e somente a partir de 1932 durante o governo de Getúlio Vargas, esse direito foi reconhecido oficialmente. Até 1962, a mulher só poderia trabalhar com a autorização do marido, e somente após a Constituição de Brasileira de 1988 passamos a ter igualdade jurídica com os homens.

O movimento feminista teve seus primeiros passos na revolução francesa do século 18. No Brasil este movimento ganhou força a partir de 1928 e como reflexo deste atraso em relação ao mundo, mesmo com toda a movimentação em prol dos direitos das mulheres, ainda lidamos com dados que apontam que 47% das mulheres se ocupam mais de afazeres domésticos do que os homens. Existem 29% a mais de homens no mercado de trabalho do que mulheres e temos 61% a mais de homens ocupando cargos de gerência do que mulheres.

Além disso, as mulheres ainda ganham em média 20,5% a menos do que os homens, em todas as ocupações e esta diferença salarial sobe à medida que aumenta o nível hierárquico, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016. No mercado financeiro, o que vemos é um número muito maior de homens investidores do que mulheres investidoras. Atualmente, 75,33% dos investidores do tipo pessoa física são homens, contra 21,85% de mulheres (B3, 09/2018).

Este número mostra não só o quanto o mercado financeiro ainda é predominantemente masculino, mas também o quanto os homens ainda dominam as tomadas de decisões financeiras da família. Um assunto pouco falado e que é resultado também da conquista dos direitos das mulheres com a Lei Maria da Penha, é o surgimento do conceito de violência patrimonial, que comumente é cometida por homens após o divórcio. Esse crime acontece quando o homem passa a fazer uso exclusivo dos bens comuns ao casal, subtraindo ou omitindo bens constituídos durante a relação, entre outras situações. Todos estes fatores contribuem para uma menor participação da mulher no mercado financeiro.

A boa notícia é que nos últimos anos, graças ao acesso à informação, fortalecimento de leis pró mulheres e uma luta cada vez mais ativa em busca de uma verdadeira igualdade de gênero, vimos o número de mulheres na bolsa de valores dobrar nos últimos 5 anos. Outro fato relevante é o número de mulheres se destacando em cargos de liderança no Brasil e no mundo.

Em termos de proporção, estes dados não são de grande expressão, mas ao nos depararmos com o fenômeno de crescimento da atuação da mulher em aspectos fundamentais, como nas finanças pessoais e investimentos, nossa esperança é renovada. Essa evolução reforça a crença no efeito borboleta, que na teoria do caos se pousa na ideia de que o bater das asas deste pequeno inseto pode influenciar o curso natural dos eventos, podendo provocar até um tufão do outro lado do mundo. Essa analogia nos ajuda a entender que pequenas ações podem gerar grandes resultados na luta pela igualdade das mulheres.

*Thamires Ferreira, economista, especialista em previdência privada e assessora de investimentos na Monteverde Investimentos

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