Núcleo financeiro do PCC movimentava até R$ 1 mi por mês em 418 contas, diz PF

Núcleo financeiro do PCC movimentava até R$ 1 mi por mês em 418 contas, diz PF

Operação 'Cravada' foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça, 6, para desarticular grupo que recolhia e gerenciava pagamentos para a facção em todo o país

Pepita Ortega

06 de agosto de 2019 | 11h47

O núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC, alvo da Operação Cravada deflagrada nesta terça, 6, movimentava de R$ 800 mil a R$ 1 milhão por mês. Segundo a Polícia Federal, os valores são relativos aos gastos da facção com a sustentação da ‘estrutura de rede montada em volta das cadeias’, além da aquisição de drogas e armas.

Cerca de 180 agentes da ‘Cravada’ cumprem 85 mandados – 55 de busca e apreensão e 30 de prisão – em sete estados – São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Acre, Roraima, Pernambuco e Minas Gerais. Até o momento, a PF fez 28 prisões – oito delas em presídios e duas em flagrante, durante a realização de buscas.

De acordo com a Polícia Federal, o núcleo financeiro da facção era responsável por recolher e gerenciar as contribuições em âmbito nacional. O esquema consistia na arrecadação de valores de membros, chamados de ‘rifas’, que eram cobrados de dois em dois meses, e em alguns Estados, como uma mensalidade.

Em coletiva, o coordenador da Operação, delegado Martin Purper, afirmou que a investigação encontrou planilhas que registravam a ‘contabilidade’ da facção, inclusive com a indicação de dívidas.

Segundo o delegado, as pessoas que deixavam de pagar as contribuições eram excluídas e deixavam de fazer parte da organização, ou, por vezes, aceitavam serem ‘castigadas para serem perdoadas’ ou ainda ‘pagavam com a prática de crimes’.

O repasse do dinheiro aos líderes da organização era feito em um esquema de ‘pirâmide’, por meio de diferentes contas bancárias, indicou o delegado.

Segundo a Polícia Federal, as 418 contas ligadas à facção identificadas e bloqueadas no âmbito da ‘Cravada’, são ‘de passagem’, utilizadas para administrar valores e eram utilizadas de maneira alternada.

Os valores eram utilizados ‘para pagar a aquisição de armas de fogo e de entorpecentes para a facção, além de providenciar transporte e manutenção da estadia de integrantes e familiares de membros da organização em locais próximos a presídios’, indicou a PF.

Segundo o coordenador da operação, no âmbito da operação deflagrada nesta manhã, a Justiça atendeu um pedido da investigação e determinou, se houver demanda, a interrupção de visitas para ‘impedir que os líderes da facção continuem dando ordens de dentro dos presídios’.

A Polícia Federal indicou que visitantes das unidades prisionais transportavam bilhetes da facção ‘permitindo a continuidade das atividades criminosas’. Foto: Polícia Federal

A medida tem relação com o método utilizado pelos membros da facção, que utilizavam bilhetes, chamados de ‘bate-bola’, para se comunicarem com os integrantes presos. Segundo Purper, os bilhetes são uma das principais formas de comunicação das facções. O delegado também indicou que nesta manhã foram apreendidos bilhetes que ainda seriam levados para dentro de unidades prisionais.

O coordenador da ‘Cravada’ também apontou que planilhas relacionadas às penitenciárias federais, ‘demonstraram que visitantes do presos recebiam valores como forma de contribuição por informações que entravam e saiam dos presídios. A apuração identificou R$ 311 mil de gastos entre os visitantes das penitenciárias federais por mês.

A Polícia Federal informou que os investigados podem responder pelos crimes de Tráfico de Entorpecentes, Associação para o Tráfico, Organização Criminosa, entre outros.

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