Novos aportes: planejamento e estruturação são essenciais para garantir eficácia

Novos aportes: planejamento e estruturação são essenciais para garantir eficácia

Ricardo Vastella*

22 de dezembro de 2020 | 04h30

Ricardo Vastella. FOTO: DIVULGAÇÃO

O sistema financeiro de uma empresa reflete sempre a situação econômica do negócio, ao longo do tempo. Quando a relação preços x custos gera margens positivas, a empresa passa a ter sobras de caixa que compõem o capital de giro e verbas para investimento e crescimento. O inverso também é verdadeiro: quando esta relação se desequilibra, cedo ou tarde traz um efeito direto sobre o caixa da empresa, esgotando inicialmente o capital de giro e, a partir daí, gerando passivos crescentes.

Neste momento, que infelizmente tem sido bastante comum na atual crise que o mundo experimenta, a única alternativa é o aporte de recursos, prioritariamente para financiamento da produção, custos e despesas essenciais à atividade principal, como meio emergencial de manutenção do negócio.

Para essas condições, linhas de crédito de curtíssimo prazo podem ser eficazes, como a antecipação de recebíveis, por exemplo. Cabe ressaltar que quanto maior a urgência e o risco, maiores as taxas. Neste caso, o “remédio” que salva, com o tempo, também pode matar, o que obriga a necessidade de estruturar novos aportes, com taxas menores, para substituir os atuais.

A estruturação de novos aportes pode vir de diversas fontes, como investidor-anjo que, normalmente, é um ex-empresário ou executivo pessoa jurídica ou física, com experiência acumulada de uma carreira de sucesso, disposto a investir entre 5% e 10% de seu patrimônio e aplicar essa experiência apoiando a empresa. Há também o sócio-capitalista, que aporta recursos com perfil mais conservador e aposta no longo prazo, podendo ou não se envolver na gestão. Já o sócio-investidor prefere ganhos proporcionais aos riscos e raramente entra no dia a dia da empresa.

Se o investimento for em capex (capital expenditure), temos as opções de leasing financeiro, quando riscos e benefícios dos ativos ficam com o arrendatário ao final dos pagamentos, ou o leasing operacional, com modelo inverso. Pode-se também optar pelo modelo sale and leaseback (venda e devolução), considerado uma operação imobiliária, em que a venda de um ativo e sua devolução são realizadas no longo prazo, após pagamento de aluguel.

Entre as modalidades mais recentes, temos o crowdfunding, ou financiamento coletivo, em que um grupo de vários investidores com interesses comuns se une para aportar capital, ou marketplace, muito utilizado em vendas online.

Em geral, tomar dinheiro no mercado sempre foi tratado como algo inerente ao negócio. Porém, na maioria das vezes, não se toma o cuidado necessário na hora do estudo sobre que tipo de investimento será o melhor para a empresa.

Deve-se sempre ter um bom planejamento, com escopo bem definido, incluindo o “para que”, “como”, “quando” e “onde” serão aplicados os recursos captados e, principalmente, que contemple os benefícios esperados ao negócio. Por isso, a contratação de especialistas para o estudo de viabilidade econômica e financeira, sobre os aportes e sua utilização, cresce junto ao mercado financeiro. A atuação destes profissionais também fortalece a escolha da melhor fonte de captação por questões técnicas, por serem estes especialistas isentos de parcialidade e emoções inerentes aos gestores envolvidos no dia a dia da empresas.

Neste ano, o abalo causado pela paralisação total ou parcial das atividades de setores da economia criou fissuras de riscos e grandes oportunidades. Por um lado, temos a inadimplência de pagamentos tomados e quebra de empresas. Por outro, temos grande oferta de possibilidades de negócios, como fusões, venda e aquisições, além de financiamento de atividades essenciais ou de produtos rentáveis. Ainda é cedo ainda para avaliar o final deste ciclo, mas é importante estar atento às oportunidades e agir com rapidez, sempre com o apoio de especialistas, na reorganização do negócio como um todo, da gestão à captação, da compra à venda da empresa.

*Ricardo Vastella é diretor sênior de Reestruturação da Naxentia

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.