Novo varejo no ‘novo normal’

Novo varejo no ‘novo normal’

Nilson Brizoti*

17 de dezembro de 2020 | 03h00

Nilson Brizoti. FOTO: DIVULGAÇÃO

No “velho normal”, as pessoas saiam de casa às 7h da manhã e voltavam às 9h da noite. Somava-se à jornada de trabalho os happy hours, academia, shopping e mercado.  A residência, para muitos, limitava-se a um pit stop para comer e dormir. A convivência familiar ficava para os finais de semana. Poucos eram aqueles que viviam intensamente em seus lares. O fato é que o “novo normal” subverteu o modelo estabelecido. O ir e vir ficou restrito e as telas se transformaram no portal de acesso ao mundo exterior. Viagens, happy hours e passeios terão de esperar, mas as compras foram perfeitamente adequadas a uma nova realidade, que arrisco classificar como bem melhor. 

As compras pelo e-commerce dispararam ao longo dos últimos meses. Segundo dados da Ebit/Nielsen, o e-commerce brasileiro registrou um crescimento de 47% no primeiro semestre, sua maior alta em 20 anos. Este universo de compras online inclui casal de idosos que moram sozinhos, famílias que escolhem juntas, solteiros que não querem perder tempo. As compras estão resolvidas: sem ter de carregar sacolas e carrinhos, nem filas no caixa, nem vagas de estacionamento. 

Quase tudo acabou sendo revisto quando se fala de comprar online e isso refletiu também em uma tendência e demanda nos condomínios residenciais, que se transformaram em uma espécie de canal do varejo. Você já deve ter visto em seu condomínio ou de alguém que conhece a instalação de lojas no piso térreo e oferecimento de diversos serviços para facilitar a vida dos moradores. Até pontos de locação de carros estão sendo viabilizados em conjuntos residenciais. 

Voltando ao mundo das telas, outros nichos de serviços surgiram. É o caso de marketplaces criados durante o isolamento social para facilitar a compra de itens como alimentos, produtos de limpeza e higiene com preços mais vantajosos que o e-commerce de hipermercados, por exemplo, e que ainda se reverte na redução de custos do condomínio, além de garantir a manutenção do protocolo de segurança e proteção contra a contaminação da Covid-19. 

O mercado de condomínios é atraente para o mundo dos negócios e o investimento em serviços nos prédios e casas deve continuar a crescer nos próximos anos. A ABRASSP Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais aponta que 68 milhões de brasileiros vivem em condomínios. Só no Brasil são cerca de 440 mil condomínios instituídos. Essa grandeza de cenário faz com que investidores mirem no segmento e invistam em empresas que estejam preparadas para diversificar as ofertas no setor.

Se o home office vai pegar de vez, a gente ainda não sabe ao certo. Contudo, os condomínios residenciais devem realmente se configurar como um novo canal do varejo. E certamente as compras online se intensificarão. Uma vez acostumado e/ou familiarizado a esta praticidade, a chatice de ir no mercado deve ficar no velho normal.

*Nilson Brizoti, CEO da Qisar Home

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.