Novo promotor assume investigação sobre Queiroz

Novo promotor assume investigação sobre Queiroz

Após Claudio Calo, que já manifestou apoio aos Bolsonaro no Twitter, se declarar suspeito, Luís Otávio Lopes ficará à frente de inquérito sobre movimentações suspeitas de ex-assessor

Constança Rezende/RIO

06 Fevereiro 2019 | 20h28

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL) Foto: Reprodução/SBT

O promotor Luís Otávio Lopes assumiu ontem a investigação das movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Inicialmente designado para o caso, o promotor Claudio Calo se declarou suspeito na noite de anteontem. Não chegou a assumir o procedimento.

O novo promotor é titular da 25ª Promotoria de Investigação Penal (PIP) que é tabelar (sucessora) da 24ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), de Calo. Por isso, em caso de impedimento, Lopes torna-se responsável pelo procedimento, como substituto imediato. Enquanto Calo for o titular da 24ª PIP, o procedimento, no qual arguiu o seu impedimento/ suspeição, ficará na 25ª PIP.

Em 2013, Lopes pediu a prisão preventiva de 23 ativistas acusados de depredações nas manifestações de junho daquele ano. O promotor acusou o grupo de formação de quadrilha. A prisão foi ordenada horas depois pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, em julho de 2014.

Suspeição. Claudio Calo declarou a sua suspeição um dia após receber a investigação. Tomou a iniciativa depois da repercussão negativa de antigas publicações que fez em sua conta no Twitter. Nelas, o representante do Ministério Público compartilhou postagens sobre a família do presidente Jair Bolsonaro, em tom aparentemente simpático. Também comentou o caso Queiroz.

Ao Estado, Calo disse que deixou o caso por uma “questão técnica e não por pressão, em razão do Twitter, ou por questão de simpatia ou antipatia pela família.”

“Já denunciei pessoas de vários partidos MDB, DEM, PT, PRTB dentre outros”, disse.

O promotor alegou, em seu pedido de suspeição, que se encontrou com Flávio quando este era deputado estadual e senador eleito. A reunião teria sido no dia 30 de novembro, antes do caso Coaf ser divulgado pelos meios de comunicação. A existência do relatório foi revelada pelo Estado em 6 de dezembro. O encontro foi intermediado por ex-colegas de turma do promotor no curso de direito.

O objetivo da reunião, segundo Calo, era tratar de questões e projetos relacionados à segurança pública, à corrupção e à lavagem de dinheiro. O promotor Calo contou que na ocasião sugeriu ao parlamentar o aumento das penas mínimas dos crimes contra o Erário, assim como dificultar a progressão de regime de cumprimento de penas.