Novo operador de propinas do PMDB nega relação partidária

Novo operador de propinas do PMDB nega relação partidária

Apontado como movimentador de US$ 10 milhões para a legenda, João Augusto Rezende Henriques disse em depoimento no MPF que não participou de contrato de navio-sonda, que levou ele e ex-diretor da Petrobrás Jorge Zelada ao banco dos réus essa semana

Redação

13 de agosto de 2015 | 05h01

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como novo nome entre os operadores de propina do PMDB, no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, o lobista João Augusto Rezende Henriques negou em depoimento ter ligação com o partido e envolvimento com crimes.

João Augusto, como é conhecido, foi ouvido no dia 27 de julho pelo procurador da Repúblico Diogo Castor de Mattos, que integra a força-tarefa da Lava Jato. O lobista afirmou à Lava Jato ser “pequeno empresário”, sendo responsável pela empresa Trend, que atua na área de óleo e gás. A Trend é uma das empresas que aparecem associados ao nome do lobista nos 15 registros da Petrobrás de visitas oficiais que ele teria feito ao ex-diretor de Internacional da estatal Jorge Zelada.

Jorge Zelada, preso pela Polícia Federal, no Rio

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Nesta segunda-feira, Zelada, João Augusto e outras quatro pessoas viraram réus em ação penal da Justiça Federal, por propina de US$ 31 milhões em contrato de 2008, via área de Internacional. Desse total prometido, US$ 10,8 milhões foram pagos ao PMDB, afirmou o delator do caso, o lobista Hamylton Padilha – que atuou em nome da empresa contratada.

João Augusto afirma que sem foi um técnico. “Jamais tendo indicação política para qualquer cargo que ele ocupou”, registra seu depoimento. “O declarante não possui envolvimento com o PMDB.”

Segundo o lobista, o “único envolvimento político” que possuía “era com o deputado Fernando Diniz do PMDB de Minas Gerais, já falecido”.

trecho depoimento joao augusto

“Numa conversa que o declarante manteve com o ex-deputado na Sociedade Hípica do Rio de Janeiro, Fernando Diniz sondou a possibilidade de o declarante retornar a Petrobrás como diretor de Exploração e Produção”, registra o termo.

Segundo ele, a indicação não se confirmou porque seu nome teria sido rejeitado pela Casa Civil, do governo federal.

Para investigadores da Lava Jato, João Augusto tinha o mesmo papel do operador de propinas Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, preso desde dezembro, em Curitiba, acusado de ser elo do PMDB na corrupção na Diretoria Internacional, durante a gestão Nestor Cerveró (2005-2008).

Navio-sonda. O lobista João Augusto Henriques declarou ao MPF que “não teve nenhuma participação no negócio da sonda”. Disse ainda não conhecer Raul Schmidt Felippe Junior.

Hamylton Padilha, o lobista que atuou em nome da norte-americana Vantage Drilling e do Grupo Taiwan Maritime Transportation Co (TMT), confessou ter pago propinas contrato, após ser cobrado Raul Schmidt.

“Caberia a João Augusto Rezende Henriques realizar o pagamento da vantagem indevida em favor do PMDB, enquanto Hamylton Padilha se encarregaria de pagar a parte da propina destinada a Eduardo Musa e Raul Schmidt Felippe Junior. Este, por sua vez, transferiria a parte da propina devida a Jorge Luiz Zelda”, informa o MPF, na peça inicial do processo.

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“Raul Schmidt Felippe Junior informou a Hamylton Padilha que nestanegociação o interlocutor direto sobre o tema de propina seria João Augusto Rezende Henriques, ex-funcionário da Petrobrás e conhecido como um lobista ligado ao PMDB, partido que dava sustentação política para Zelada permanecer no cargo”, sustenta a força-tarefa do MPF.

A Lava Jato busca qual foi a offshore controlada pelo novo operador do PMDB usada para receber os US$ 10 milhões repassados ao partido. O lobista afirmou que “não é beneficiário de nenhuma offshore no exterior”.

João Augusto negou ter repassado “vantagem indevida” para o ex-gerente da Petrobrás Eduardo Musa.

trecho denuncia sobre pmdb joao augusto

O novo operador do PMDB foco da Lava Jato, foi questionado ainda se conhecia o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. Ele disse que “não conhece”.

O presidente da Câmara foi apontado pelo lobista e delator da Lava Jato Julio Gerin Camargo como beneficiário de pelo menos US$ 5 milhões em propina de contratos assinados por outra multinacional, com a Diretoria de Internacional, entre 2006 e 2007, época que o diretor era Nestor Cerveró. O parlamentar nega recebimentos ilegais.

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