Novo normal torna premissa a inteligência emocional nas empresas 

Novo normal torna premissa a inteligência emocional nas empresas 

Cristiane Romano*

28 de outubro de 2020 | 05h30

Cristiane Romano. FOTO: DIVULGAÇÃO

Segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em conjunto com a Troposlab, 51,1% dos profissionais tiveram a vida parcialmente afetada pela pandemia, enquanto 24,9% afirmaram que foram muito afetados. Realizado em junho, o estudo contou com 653 respostas. Neste período, a necessidade do acompanhamento e cuidados com a saúde mental e o início do uso de medicamentos, como antidepressivos, ansiolíticos ou ambos, foi relatada por 15,6% dos entrevistados. As mulheres apresentaram maior intensidade de sintomas para ansiedade (28,5%), quando comparadas aos homens (22,2%), estresse (5,36%) e nos homens (5,22%), além de maior prevalência de depressão (10,4% para mulheres e homens 3,4%).

Demissão, receio de perder o emprego, de falir o negócio… Motivos não faltam para justificar o aumento de transtornos nos profissionais. Alguns já se estabilizaram, mas ainda há empresas e estabelecimentos que não conseguem fechar a conta. O fato é que, hoje, diante de tanta instabilidade, uma característica se tornou fundamental no mercado de trabalho: a inteligência emocional. Por mais competente e qualificado que seja o funcionário, é imprescindível que ele tenha também racionalidade e controle emocional.

O profissional visado atualmente tem total capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles. A inteligência emocional é a competência responsável por boa parte do sucesso e da capacidade de liderança de um ser humano.

Como lidar com profissionais que tenham problemas emocionais

Às vezes, nem imaginamos que uma pessoa com quem convivemos diariamente está passando por problemas sérios relacionados a conflitos de família, por exemplo. Em uma determinada situação de stress ou desentendimento com alguém, é possível que esse funcionário possa, inconscientemente, buscar na sua memória algum destes problemas e ativar um gatilho emocional, reagindo de modo que possa até comprometer seu emprego.

No novo normal, muitas empresas precisam ter o olhar voltado ao emocional de seus colaboradores. Caso contrário, poderão perder grandes talentos. Isso vale para gestores. Aquele que também está passando por crises, é provável que desempenhe uma rigidez exacerbada, causando tensão e desmotivação na equipe. Um trabalho minucioso no contexto pessoal dos funcionários identificaria padrões comportamentais, facilitando o auxílio na melhoria da inteligência emocional de cada um. Este processo custa muito menos do que a reposição de um bom profissional ou a perda de produtividade de toda uma equipe.

Foi-se o tempo em que os problemas pessoais ficaram da porta da empresa para fora. Hoje, auxiliar o funcionário no aperfeiçoamento de sua inteligência emocional é uma estratégia assertiva. Ambos saem ganhando: a empresa, por diminuir uma sobrecarga psicológica já instalada pela pandemia, e o profissional, que irá melhorar seu desempenho e sua produtividade.

E como identificar essa característica em um processo seletivo

Quando falamos de personalidade e de características pessoais, devemos levar em conta a história daquele profissional. Para isso, o ideal seria realizar um processo semelhante ao que se faz em uma terapia. Neste processo, será possível entender o momento atual da pessoa e até questões familiares e de infância, fatores que dizem muito sobre alguém.

Vale lembrar que todo mundo tem problemas. Se feridas do passado ou do presente forem um empecilho para a contratação de um profissional promissor, a empresa não contrata mais ninguém. Como estamos em um mundo caótico, o melhor a se fazer é identificar o nível de inteligência emocional do candidato, se aprofundar no seu lado pessoal e, caso ele tenha qualificação para a vaga em aberto, contrata-lo e ter disponível na empresa não somente um RH que saiba identificar talentos, mas também profissionais especializados para ajudar a lidar com o lado psicológico dos colaboradores.

*Cristiane Romano, mestre e doutora em Ciências e Expressividade pela USP

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