Novo diretor-geral da Polícia Federal atuou em governos do PSDB e do PT

Novo diretor-geral da Polícia Federal atuou em governos do PSDB e do PT

De 2016 a 2018, Maiurino foi secretário de Esporte, Lazer e Juventude no governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo; após breve passagem pelo Conselho de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, no início de 2019, o delegado assumiu a posição de secretário de Segurança do Supremo Tribunal Federal, a convite do então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli

Breno Pires/BRASÍLIA

06 de abril de 2021 | 19h39

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, é visto por colegas como um nome mais político do que técnico. Está afastado da corporação desde 2010, mas trabalhou tanto em governos do PSDB como do PT.

De 2016 a 2018, Maiurino foi secretário de Esporte, Lazer e Juventude no governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Após breve passagem pelo Conselho de Segurança Pública do Rio, no início de 2019, o delegado assumiu a posição de secretário de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF), a convite do então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, e permaneceu no cargo por um ano. Nesse período, reforçou a segurança pessoal e eletrônica dos ministros e do próprio Supremo, que se tornou alvo de protestos.

Maiurino chegou a ser cotado para diretor-geral da PF depois que o então ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro pediu demissão, em abril do ano passado, acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferência política na corporação. À época, Maiurino foi indicado por Toffoli para ocupar a vaga aberta com a saída de Maurício Valeixo da direção da PF.

Bolsonaro preferiu, porém, aceitar a indicação feita pelo delegado Alexandre Ramagem, impedido de assumir o comando da corporação. Diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Barragem teve a nomeação suspensa pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que apontou desvio de finalidade por parte de Bolsonaro ao chamar o amigo para ocupar o cargo. Ramagem foi chefe de segurança de Bolsonaro na campanha de 2018 e se tornou não só íntimo do presidente como dos filhos dele. Sem poder assumir o posto, Ramagem indicou Rolando Souza, que tomou posse em maio.

O novo diretor-geral da Polícia Federal Paulo Maiurino. Foto: Diretoria Regional ADPF/São Paulo

A conta indicando que a Polícia Federal terá o terceiro diretor-geral em dois anos e três meses de governo não inclui Ramagem, já que a nomeação dele foi revogada por Bolsonaro após a decisão de Moraes. O primeiro diretor-geral da PF sob Bolsonaro foi Maurício Valeixo; depois, Rolando Souza, e agora quem estará à frente da corporação será Paulo Maiurino.

No fim do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, Maiurino foi corregedor-geral do Ministério da Justiça. Ficou até 2012, já na gestão de Dilma Rousseff. Ele também foi assessor especial da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal quando Agnelo Queiroz (PT) era governador.

Antes, em 2006, Maiurino atuou no inquérito que investigou caixa 2 no PSDB de Minas Gerais, o chamado mensalão mineiro. A investigação resultou na condenação do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Atualmente, o delegado era assessor de Segurança Institucional no Conselho da Justiça Federal.

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