Novo diretor-geral da PF atuou em inquérito aberto pelo STJ contra Lava Jato

Novo diretor-geral da PF atuou em inquérito aberto pelo STJ contra Lava Jato

Paulo Maiurino é o terceiro nome escalado para comandar a corporação no governo Jair Bolsonaro

Rafael Moraes Moura

07 de abril de 2021 | 16h05

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, atuou no inquérito aberto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar procuradores que integravam a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. A apuração acabou suspensa na semana passada por decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente do STJ, Humberto Martins, abriu o inquérito para investigar a suposta tentativa de intimidação e investigação ilegal contra ministros da Corte por parte de procuradores da extinta força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Segundo o Estadão apurou com fontes que acompanham o caso, Maiurino foi designado para prestar auxílio nos atos e diligências da investigação, que tramita sob sigilo.

O inquérito foi aberto na esteira da divulgação de mensagens trocadas entre procuradores, obtidas por um grupo criminoso de hackers que entraram na mira da Operação Spoofing. Após o Supremo autorizar o acesso das conversas à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diversos diálogos entre integrantes da força-tarefa foram tornados públicos.

O delegado Paulo Gustavo Maiurino, novo diretor da Polícia Federal. Foto: Governo de SP / Divulgação

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o processo está carregado de ‘vícios’ que tornam ‘flagrantemente ilegal e abusiva a atividade persecutória’. Na avaliação da PGR, por ter sido instaurada de ofício pelo presidente do STJ, a investigação viola o sistema acusatório e as prerrogativas dos membros do Ministério Público Federal.

Procurado pela reportagem, o STJ se recusou a prestar mais informações sobre a atuação do novo diretor-geral da PF no caso. “O processo em questão está em sigilo, suspensa a investigação por decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, até a decisão de mérito pela Primeira Turma. Dessa forma, não há mais nada a informar”, comunicou o tribunal.

A PF ainda não se manifestou.

Segundo o Estadão apurou, o ministro Dias Toffoli, do STF, já havia recomendado o nome do novo diretor-geral da PF para o Palácio do Planalto no auge da crise com a saída de Sérgio Moro do governo, em abril do ano passado. Durante o período em que presidiu o Supremo, Toffoli também abriu um inquérito por conta própria, para apurar ameaças, ofensas e fake news disparadas contra integrantes do STF e seus familiares.

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