‘Novo dinheiro’ vai ser digital e ferramenta de marketing em vez de finanças

‘Novo dinheiro’ vai ser digital e ferramenta de marketing em vez de finanças

Cássio Rosas*

28 de outubro de 2020 | 03h15

Cássio Rosas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Sabe o velho hábito de pegar a carteira para pagar determinado produto ou serviço? Pois bem, o dinheiro como conhecemos atualmente está com os dias contados. As cédulas e as moedas, que costumam ficar “perdidas” na carteira ou no bolso das pessoas, e até mesmo o cartão de crédito físico começam a perder espaço para as transações digitais. É uma realidade cada vez mais comum a grande parcela da população. O que muitos ainda nem desconfiam é que o “novo dinheiro” não será apenas digital, mas também uma importante ferramenta de marketing (e não de finanças) para estabelecer relacionamento entre empresas e consumidores.

Diversos indicadores reforçam a tendência da digitalização do dinheiro. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em junho de 2020 mostra que praticamente três quartos (74%) das transações bancárias realizadas no país em abril, início da pandemia, foram feitas por canais digitais – dez pontos percentuais acima do registrado em janeiro. Evidentemente, isso leva ao desenvolvimento e à pesquisa acerca das moedas digitais. Os próprios bancos centrais começam a analisar o assunto – 20% deles, inclusive, esperam emitir uma moeda digital nos próximos seis anos, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Diante desse cenário, não é mais possível tratar as moedas digitais como tendência. Elas já são realidade estabelecida e, cedo ou tarde, vão fazer parte do dia a dia dos consumidores e das empresas. O bitcoin, a primeira do universo das criptomoedas, já possui mais de uma década de existência, e sua valorização e aceitação nos últimos anos apenas reforçaram as vantagens que essa proposta traz à economia de modo geral. Afinal, se as transações digitais já moldam a compra e venda de produtos e serviços, nada mais natural esperar que surja uma moeda digital para acompanhar essa carteira, também digital.

A pandemia de covid-19 apenas acelerou o processo. Como a maioria das empresas teve que suspender a operação física por conta das medidas de isolamento social, a única alternativa viável foi recorrer à internet e aos canais digitais de vendas. Sendo assim, foi preciso criar métodos que também permitissem o pagamento digital, proporcionando melhor experiência a seus consumidores. As cédulas de papel se transformaram em bytes, e a população percebeu que é possível viver e consumir da mesma forma, recebendo seus itens em casa e com a mesma segurança contra fraudes.

Outro fator preponderante para a consolidação das moedas digitais está justamente em sua estrutura. Sendo uma informação digital, ela se transforma em um dado que pode trazer não só compensação financeira, mas principalmente insights para melhorar a tomada de decisão dos gestores. Uma moeda digital oferece uma visão mais completa de seu cliente e pode ser usada como importante ferramenta de marketing digital, embasando campanhas de relacionamento e engajamento entre a marca e as pessoas. Na economia baseada em dados, sua utilização revela-se fundamental.

As moedas digitais são a próxima etapa da evolução do dinheiro – estejamos prontos ou não. Portanto, cabe a nós consumidores e empresários identificarmos os potenciais que essa modalidade tem a oferecer em nosso dia a dia, possibilitando pagamentos mais ágeis e seguros ao mesmo tempo que aproxima o público de suas marcas preferidas. Se o “velho dinheiro” possibilitava a compra de produtos e serviços, o “novo dinheiro” abre um mundo de possibilidades que extrapola o aspecto financeiro e deve provocar transformações profundas (e positivas) na sociedade.

*Cássio Rosas é head de Marketing e Estratégia da WiBX

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