Assista aos vídeos do novo delator que implica Cunha, Geddel, Funaro e Eike

Assista aos vídeos do novo delator que implica Cunha, Geddel, Funaro e Eike

Braço direito do corretor Lúcio Bolonha Funaro, o empresário Alexandre Margotto detalhou como o grupo político do PMDB da Câmara, liderado por Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, atuava na liberação de valores para grandes empresas junto a órgãos públicos, em especial a Caixa

Fábio Fabrini, Fabio Serapião e Beatriz Bulla

21 de fevereiro de 2017 | 18h27

Braço direito do corretor Lúcio Bolonha Funaro, o empresário Alexandre Margotto detalhou em seu acordo de delação premiada como o grupo político do PMDB da Câmara, liderado por Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, atuava na liberação de valores para grandes empresas junto a órgãos públicos, em especial a Caixa. O acordo foi tornado público na sexta-feira, 17, pelo juiz Vallisney de Souza, da 10.ª Vara Federal do Distrito Federal.

Margotto disse que a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa, comandada pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) de 2011 a 2013, era mais rentável para Funaro que a Vice-Presidência de Fundos de Governo e Loterias, a cargo de Fábio Cleto – que delatou desvios em operações bilionárias do banco público.

Ele também afirmou que o corretor ganhou uma casa como forma de receber um dívida de propina devida pela holding J&F. Ao Estado, Joesley alegou que vendeu o bem ao corretor. No primeiro anexo, o colaborador explicou a origem do seu relacionamento com Funaro, Fábio Cleto e outros investigados pela força-tarefa de procuradores que unificou as investigações das operações Sépsis, Greenfield e Cui Bonno?. Ele contou que foi ele quem apresentou Cleto a Funaro.

Nos depoimentos relacionados aos anexos 2, 3 e 4, o empresário detalhou a utilização de suas empresas e as de Funaro no recebimento de valores oriundos de negociações junto aos órgãos públicos. No anexo 5, ele explicou como funcionava o “esquema geral” do grupo, desde o relacionamento com as empresas até a liberação dos investimentos do FI-FGTS e de carteiras administradas pelo fundo. Nesse tópico, ele apontou as ilicitudes envolvendo o investimento do FGTS no empreendimento do Porto Maravilha, sob comando das empreiteiras Carioca Engenharia, Odebrecht e OAS. Margotto confirmou que Cunha e Cleto receberam propina para liberar o aporte do empreendimento.

No subanexo 11.7 de sua delação, Margotto explicou aos investigadores as “ilicitudes envolvendo o investimento do FGTS na empresa LLX, bem como envolvendo o empresário/executivo Eike Batista”. Em depoimento gravado em vídeo, Margotto disse que Funaro não mantinha relações com Eike e dizia que o empresário não conseguiria “1 real” na Caixa sem sua ajuda. Segundo Margotto, o corretor se “enaltecia” do suposto “poder de veto” que tinha nas liberações de valores do fundo.

Funaro teria avisado Fabio Cleto “para não fazer nada, não assinar nada” com as empresas de Eike. Cleto era o vice-presidente de fundos do governo e loteria da Caixa, indicado por Cunha e Funaro, e também assinou um acordo de delação. “Se ele acha que tem a turma do PT, ele vai ver a dificuldade que vai ter pra pegar esse empréstimo”, teria dito Funaro ao delator.

Na versão do delator, a situação teria mudado após um jantar entre Funaro e Eike realizado em Nova Iorque. A reunião, revelada a Margotto por Funaro, teria sido intermediada por Joesley Batista, da holding J&F, que também teria participado do encontro. O empresário nega.

Ainda segundo Margotto, após Lúcio lhe contar sobre o encontro, Fabio Cleto teria confidenciado que Cunha deu ordens para que o aporte do FGTS na empresa de Eike tivesse seguimento. Assim como Cleto em sua delação, o braço direito de Funaro não soube apontar o valor recebido por Cunha, mas afirmou que o corretor recebeu ao menos 1,5 milhão.

O ex-vice presidente de fundos do governo e Loteria da Caixa, Fabio Cleto, foi o primeiro a revelar os pagamentos indevidos da empresa de Eike para Cunha e Funaro. Em sua delação premiada, Cleto assumiu ter recebido ao menos R$ 240 mil pela operação e apontou Funaro como operador de Cunha no caso – sem declinar os valores recebidos pelo ex-deputado.

Em nota, a J&F informou que “reitera que suas  relações comerciais com Lucio Funaro são lícitas, legais e devidamente documentadas.” Sobre os assuntos que estão sob investigação, a empresa esclareceu que está à disposição do MPF e da Justiça caso haja algo a acrescentar. “A J&F esclarece ainda que nenhum de seus executivos citados tiveram ou têm qualquer relação com Alexandre Margotto.⁠⁠⁠⁠”

O Estado não conseguiu contato com a Cone S/A, do grupo Moura Dubeux. A empresa já havia se manifestado sobre o tema por meio de nota quando MPF unificou as operações Sépsis, Greenfield e Cui Bonno?.Na nota, a empresa afirmou que “jamais negociou ou ofereceu vantagens indevidas a qualquer funcionário da Caixa Econômica Federal, ou a qualquer eventual intermediário.”

Responsável pela defesa de Geddel, o advogado Gamil Föpel afirmou por meio de nota que o peemedebista não mantém qualquer contato com o Alexandre Margotto e que lamenta que tais “ilações (frágeis e insubsistentes) cheguem ao conhecimento” de Geddel através da imprensa. “A defesa técnica assegura que Geddel está, como sempre esteve, à disposição da Justiça”, completou o advogado.

O Estado não conseguiu contato com a defesa de Lucio Funaro. A defesa de Eduardo Cunha não respondeu aos contatos da reportagem.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: