Operação Mascate prende ‘Arizinho’, mais um operador do esquema de Cabral

Operação Mascate prende ‘Arizinho’, mais um operador do esquema de Cabral

Nova fase da Operação Calicute mira em Ari Ferreira da Costa Filho, próximo do ex-governador desde quando o peemedebista era deputado estadual

Fabio Serapião, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

02 Fevereiro 2017 | 06h51

Sérgio Cabral deixa Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/Agência O Globo

Sérgio Cabral deixa Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/Agência O Globo

A Polícia Federal e a Procuradoria da República no Rio deflagraram na manhã desta quinta-feira, 2, a Operação Mascate, nova fase da Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio que levou à prisão o ex-governado Sérgio Cabral (PMDB), para prender preventivamente Ary Ferreira da Costa Filho,  conhecido como ‘Arizinho’ e apontado como mais um operador de propinas do peemedebista. Homem de confiança do ex-governador, ele e suspeito de lavar ao menos R$ 10 milhões, dos quais R$ 8 milhões teriam ido para Cabral.

Ao todo, 25 policiais cumprem o mandado de prisão preventiva de Ary e oito mandados de busca e apreensão em imóveis de Ary e de pessoas ligadas ao operador, que é servidor da Secretaria de Estado da Fazenda do Rio, era cedido à Secretaria da Casa Civil e foi exonerado em 6 de dezembro de 2016.

Na manhã desta quinta-feira, 2, a Polícia Federal foi à residência dele, na Barra, mas não o localizaram. Ele foi detido a tarde pela Polícia Rodoviária Federal na Rodovia Dutra, na região de Nova Iguaçu.

As investigações apontam que a lavagem de dinheiro foi realizada em diversas operações ao longo de oito anos. O operador financeiro atuava repassando os valores supostamente ilícitos à concessionárias de veículos pertencentes ao mesmo grupo familiar.

O dinheiro retornava através de contratos fictícios firmados entre consultorias de fachada e essas revendedoras de automóveis.

Outra parte dos valores entregue a um dos sócios foi utilizado para a aquisição de 7 imóveis que foram registrados em nome de uma empresa imobiliária pertencente ao mesmo empresário. Fazendo com que o dinheiro retornasse com aparente licitude quando da venda dos bens.

A Justiça Federal no Rio já havia decretado a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Ary, além de ter determinado o sequestro dos bens dele, acusado pelos delatores Renato e Marcelo Chebar, que controlavam contas secretas de Cabral no exterior, de lavar R$ 8 milhões em propinas.

Acusado de intermediar a lavagem de dinheiro e os pagamentos de propina, ‘Arizinho’ começou a trabalhar com Cabral na década de 1980, quando o peemedebista era deputado estadual e, segundo as investigações, em 1996 ele começou a trabalhar em um cargo comissionado no gabinete de Cabral.

Posteriormente, teve passagens por várias secretarias no governo do peemedebista no Rio. Ari se tornou assessor especial do ex-governador e estava no governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) até poucos dias atrás.

Essa já é a terceira operação policial contra o esquema de corrupção do grupo supostamente liderado por Sérgio Cabral e que teria arrecadado milhões em propinas de obras de grandes empreiteiras com o Estado quando ele foi governador do Rio, de 2007 a 2014. A operação foi autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio.

Ao menos nove acusados de atuarem como operadores financeiros do esquema de Cabral, entre doleiros e responsáveis por cobrar e transportar os pagamentos ilícitos, já foram presos pela PF no Rio desde que a Operação Calicute foi deflagrada em 17 de novembro de 2016.