Nova fase da Lava Jato mira ex-funcionário da Petrobrás pela segunda vez por US$ 2,2 milhões em propinas de trading

Nova fase da Lava Jato mira ex-funcionário da Petrobrás pela segunda vez por US$ 2,2 milhões em propinas de trading

Capítulo 78 da Operação faz duas buscas em endereços de Angra dos Reis e Araruama, no Rio, ligados a ex-funcionário da estatal que também foi alvo da fase 57 da Lava Jato, a Sem Limites

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo

26 de novembro de 2020 | 07h18

Petrobrás. Foto: PAULO VITOR/AGENCIA ESTADO/AE

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram na manhã desta quinta, 26, a Operação Sem Limites V, 78ª etapa da Lava Jato, para aprofundar as investigações contra um ex-funcionário da Petrobrás sob suspeita de ter recebido propina de US$ 2,2 milhões, entre 2009 e 2015, para favorecer a trading company Cockett em nem centenas de operações de compra de combustíveis marítimos (bunker e diesel marítimo) vendidos pela estatal.

Agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão em Angra dos Reis e Araruama, no Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

 

O alvo da operação é Jeceny Jorge Lourenço Rodrigues, que também teve seu endereços vasculhados quando a 57ª fase da Operação Lava Jato, a Operação Sem Limites foi aberta.

Após aquela ofensiva, dois executivos ligados à empresa Cockett revelaram os US$ 2.210.252,49 em propinas pagas em espécie ao ex-funcionário da Petrobrás. Segundo o Miistério Público Federal, as vantagens indevidas correspondem a R$ 11,8 milhões em valores atualizados e tem relação com em 303 operações de venda de combustíveis marítimos feitas pela Petrobrás.

“O então funcionário da Petrobras fornecia informações privilegiadas sobre a futura precificação dos combustíveis marítimos, de modo que era possível à empresa estrangeira adiar as compras para um momento em que os preços praticados pela estatal estivessem mais baixos. A redução de preço resultante desse adiamento das compras gerava uma margem que era repartida com o agente público”, explicou a Procuradoria em nota.

As vantagens indevidas eram repassadas pela empresa estrangeira para contas bancárias de doleiros nas Ilhas Cayman e em Hong Kong e para contas de empresas nacionais, indicam os procuradores. Ainda segundo o MPF, os beneficiários das contas disponibilizavam o dinheiro em espécie no Brasil, que era entregue ao então funcionário da Petrobrás pessoalmente pelos representantes da empresa estrangeira.

“Existem ainda indícios de que outras empresas estrangeiras também teriam pago vantagens indevidas ao ex-agente público relacionadas a operações de compra e venda de combustíveis marítimos com a estatal brasileira”, aponta ainda a PF.

A investigação tem vinculação direta com a Operação Sem Limites (57ª fase), Sem Limites II (71ª fase), Sem Limites III (76ª fase) e Sem Limites IV (77ª fase). As ofensivas receberam o nome em referência ‘à transnacionalidade dos crimes praticados que ocorreram a partir de operações comerciais envolvendo empresas estrangeiras e com pagamentos de propina no exterior’, indicou a PF.

Segundo a corporação, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e de lavagem de dinheiro.

COM A PALAVRA, JECENY

A reportagem busca contato com o ex-funcionário da Petrobrás. O espaço está aberto para manifestações.

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