Nova denúncia mostra 150 itens de ‘caixa da propina’ do grupo de Cabral

Nova denúncia mostra 150 itens de ‘caixa da propina’ do grupo de Cabral

De acordo com o procurador Sergio Pinel, ex-governador 'usufruía muito bem desse dinheiro' de propinas

Clarissa Tomé, do Rio

14 de fevereiro de 2017 | 16h39

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral e a mulher Adriana Ancelmo em viagem pela Europa. Foto: Reprodução/Blog do Garotinho

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral e a mulher Adriana Ancelmo em viagem pela Europa. Foto: Reprodução/Blog do Garotinho

Uma planilha de controle de gastos com mais de 1.500 itens é a base da segunda denúncia do Ministério Público a partir da Operação Eficiência, que investiga as atividades criminosas da quadrilha comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral, segundo os procuradores federais. Nessa segunda denúncia, os procuradores da Lava Jato, no Rio, se debruçaram sobre os gastos de Cabral no Brasil. De acordo com o procurador Sergio Pinel, a planilha mostra como Cabral se valia de uma “instituição financeira paralela” para bancar seus hábitos luxuosos.

Entre os 1.500 itens da planilha de controle de caixa, os procuradores conseguiram identificar 150 gastos. Os demais estão registrados sob códigos. Há 19 citações a um prestador de serviço que oferecia fretamentos de voos de helicópteros, emissão de passagens aéreas e serviços de embarque e desembarque, no total de R$ 1,06 milhão.

“Em viagens a Londres e Dubai, gastaram 287 mil. São viagens feitas por Cabral e família com dinheiro administrado por essa instituição financeira paralela, que eram os colaboradores (os irmãos Chebar, doleiros que assinaram a delação premiada). Eles recebiam dinheiro dos operadores da organização criminosa e empregavam para pagar as contas de Cabral”, disse Pinel.

A denúncia mostra que Cabral fez 21 viagens de helicóptero nos meses de janeiro e fevereiro de 2015 com esse prestador de serviço. Gastou R$ 187 mil. Os deslocamentos mais caros foram entre os dias 24 de janeiro e 26 de janeiro de 2015. No sábado, 24, o helicóptero fez o trajeto Aaeroporto de Jacarepaguá – Mangaratiba (onde o ex-governador tem casa de veraneio); Mangaratiba-Guarulhos e Guarulhos-Aeroporto de Jacarepaguá. No dia seguinte, o helicóptero voltou a Guarulhos, a serviço de Cabral. E em 26 de janeiro, fez duas vezes o trajeto Mangaratiba-Aeroporto de Jacarepaguá; Jacarepaguá-Palácio Guanabara; e de volta ao aeroporto. O passeio no fim de semana custou R$ 116,1 mil. “Sérgio Cabral usufruía muito bem desse dinheiro”, afirmou o procurador.

Pinel explicou que a primeira denúncia da Eficiência foi referente à lavagem e evasão de divisas ligadas a Eike Batista e suas empresas. “Essa denúncia é relacionada aos crimes de lavagem de dinheiro cometidas aqui no Brasil e não tem nenhuma relação ao Eike”, afirmou o procurador. Segundo ele, outras denúncias ainda podem surgir da Operação Eficiência.

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