Nova denúncia da Lava Jato acusa Zé Dirceu de 33 crimes de lavagem de dinheiro

Nova denúncia da Lava Jato acusa Zé Dirceu de 33 crimes de lavagem de dinheiro

Procuradores do Ministério Público Federal sustentam que ex-ministro lavou mais de R$ 2,4 milhões entre abril de 2011 e outubro de 2014

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

02 de maio de 2017 | 10h42

O ex- ministro José Dirceu está preso em Curitiba, sede da Lava Jato. Foto: Futura Press

Na nova denúncia contra José Dirceu, o Ministério Público Federal agora atribui ao ex-ministro (Casa Civil/Governo Lula) uma sucessão de 33 crimes de lavagem de dinheiro. Nesta terça-feira, 2, os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato entregaram à Justiça Federal a terceira denúncia formal contra Dirceu – preso desde 3 de agosto de 2015 em Curitiba.

Segundo os procuradores, entre abril de 2011 e outubro de 2014 o ex-ministro lavou R$ 2,4 milhões que teria recebido em propinas no âmbito de obras da Petrobrás. O dinheiro teria sido repassado a Dirceu pelas empreiteiras Engeviz e UTC Engenharia.

O procurador Deltan Dallagnol sustenta que há um conjunto de provas contra Dirceu – já condenado a 32 anos e um mês de prisão. Ele aponta depoimentos, recuperaão de emails e outras provas.
Dallagnol informou que não existe um novo pedido de prisão contra o ex-ministro.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ROBERTO PODVAL, DEFENSOR DE JOSÉ DIRCEU

Diante da possibilidade de o Supremo Tribunal Federal mandar soltar José Dirceu nesta terça-feira, 2, e da possibilidade – já descartada – de a Procuradoria da República pedir nova prisão preventiva do ex-ministro, o advogado Roberto Podval reagiu enfaticamente.

“Esses fatos foram utilizados quando do primeiro pedido de pisão, embora quando da denúncia foram esquecidos. Não acredito que o juiz Sérgio Moro desautorize o Supremo Tribunal Federal dessa forma. Isso não é um jogo. O STF não irá autorizar chicana judicial. Não acredito que o juiz Sérgio Moro utilize tais procedimentos.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE JOÃO VACCARI NETO

“A defesa do sr. João Vaccari Neto vem a público manifestar-se sobre a denúncia apresentada hoje (02/05/17), pelo Ministério Público Federal, na qual foi incluído o sr. Vaccari, atribuindo-se a ele o conhecimento sobre pagamento realizado pela UTC para o sr. José Dirceu.

Qualquer eventual contrato entre o sr. José Dirceu com a UTC, Engevix ou com qualquer outra empresa, não é e nunca foi de responsabilidade ou conhecimento do sr. Vaccari, portanto o sr. Vaccari foi incluído nessa denúncia indevidamente, pois desconhece e não tem nada com este assunto.
Convém, mais uma vez ressaltar que palavra de delator não é prova no sistema legal brasileiro e, eventual acusação contra o sr. Vaccari feita pelo responsável da UTC, é proveniente de delação premiada. Portanto, carece de comprovação, o que inexiste neste caso, pois não sendo verdade, nenhuma prova poderá corroborar referida informação”.

COM A PALAVRA, A ENGEVIX

“O ex-sócio apontado na denúncia já se afastou da Engevix. A empresa segue colaborando com a Justiça.”

COM A PALAVRA, A UTC ENGENHARIA

“A UTC não comenta investigações em andamento.”

COM A PALAVRA, A ENTRELINHAS COMUNICAÇÃO

A reportagem entrou em contato com a Entrelinhas Comunicação, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

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