Nova denúncia aponta R$ 317 milhões de Cabral e seu grupo no exterior

Nova denúncia aponta R$ 317 milhões de Cabral e seu grupo no exterior

Procuradores da República da Operação Eficiência afirmam que fortuna 'representa apenas parte do que amealharam dos cofres públicos, por meio de um engenhoso processo de envio de recursos oriundos de propina'

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

14 de fevereiro de 2017 | 14h28

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Na nova denúncia apresentada nesta terça-feira, 14, contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) – acusado de 184 crimes de lavagem de dinheiro -, a Procuradoria da República no Rio imputa ao peemedebista e à organização criminosa que ele teria liderado ocultação de R$ 317,8 milhões no exterior. Para os investigadores, a quantia ‘representa apenas parte do que (Cabral e seu grupo) amealharam dos cofres públicos, por meio de um engenhoso processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior’.

A acusação desta terça é mais um desdobramento da Operação Eficiência, deflagrada em 26 de janeiro e que levou à prisão o ex-bilionário Eike Batista além de operadores de Cabral. Com base nas delações dos irmãos Renato e Marcelo Chebar, além dos resultados das buscas e apreensões na Eficiência, o MPF destrinchou como o “oceano” de patrimônios ilegais do ex-governador e seus comparsas foi lavado no Brasil e no exterior. A lista inclui até joias e barras de ouro que foram identificadas pelos investigadores.

Na denúncia desta terça, 14, a Procuradoria acusa o peemedebista e seus aliados pelos crimes de lavagem no Brasil, por meio de entregas de dinheiro em espécie e até compras de joias e outros artigos de luxo do grupo criminoso. Ainda devem ser apresentadas novas denúncias sobre os crimes de lavagem no exterior e evasão de divisas cometido pelo grupo criminoso, segundo o MPF.

Até o momento, já foram identificados, segundo os procuradores da força-tarefa da Operação Eficiência:

1) R$ 39.757.947,69 movimentados e guardados com os irmãos Chebar no Brasil;

2) U$ 100.160.304,90, depositados em dinheiro em contas em nome dos irmãos Chebar e outros operadores, no exterior;

3) € 1.008.708,00 ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior;

4) U$ 1.054.989,90, ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior;

5) U$ 247.950,00, ocultados sob a forma de quatro quilos e meio de ouro, guardados em cofre no exterior.

Com esta nova acusação, já é a quarta denúncia contra o ex-governador, preso desde novembro do ano passado em Bangu 8 e réu da Lava Jato em uma ação penal em Curitiba e em duas ações penais no Rio. A força-tarefa da Lava Jato no Rio, responsável pelo desdobramento das investigações que levaram à prisão de Cabral e seu grupo, ainda deve apresentar novas denúncias e identificar novos envolvidos no esquema.

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