Nota máxima na escolha do tema da redação do Enem

Nota máxima na escolha do tema da redação do Enem

Fabiano Carrijo*

26 de janeiro de 2021 | 08h25

FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

No domingo (17) foi realizado o exame do Enem 2020 que se destacou pela excelente escolha do tema de redação: “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”.

Em 2020 vimos, FINALMENTE, o equilíbrio emocional alcançar o patamar de necessidade quando o assunto é saúde, fato corroborado quando o maior exame do país traz à luz a importância de falarmos sobre as doenças mentais.

Nesse mesmo sentido, tivemos ainda diversos comunicados como da ONU e da OMS alertando sobre os perigosos efeitos da quarentena no emocional das pessoas em todo o mundo.

Todos já ouvimos que os jovens são o futuro da nação, então, sem dúvidas, o melhor caminho para a quebra de preconceitos e tabus é começar pela educação das crianças e adolescentes.

Quando fundamos o Psicologia Viva, uma plataforma de atendimento psicológico online, há mais de 5 anos, já sabíamos que enfrentaríamos grandes desafios: desde a inclusão digital e todas as suas dificuldades, até a mudança de paradigmas culturais em um país com dimensões continentais.

A digitalização dos serviços vem seguindo um caminho quase que orgânico – o mundo inteiro mudou e precisou se adaptar à tecnologia; já o esclarecimento sobre os cuidados com a saúde mental até hoje precisa estar em foco em nossas atividades, já que o preconceito ainda permeia diversos campos da nossa sociedade.

Sim, já evoluímos muito nesse quesito e a pandemia, ironicamente, acabou auxiliando nesse processo: corpo e mente precisam estar em sintonia e o isolamento social que enfrentamos deixou isso claro. Mente sã, corpo são, certo?

No entanto, existe um longo caminho pela frente. Alguns ainda associam o atendimento psicológico a transtornos e fraquezas, quando é exatamente o contrário! Psicologia não é sinônimo de doença, mas sim de saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Mas não falo isso com desânimo! Nada disso. Quando mencionei no começo deste texto que a terapia enfim passou a ser vista como uma necessidade é a mais pura verdade. No ano passado, o número de psicólogos que atendem online, somente no estado de São Paulo, triplicou.

E é claro que essa oferta está diretamente ligada à demanda: milhares de brasileiros passaram a contar com o suporte de profissionais durante a pandemia. E muitos deles subsidiados por suas empresas e operadoras de saúde.

Cada vez mais as instituições estão, de fato, cuidando das pessoas – física e emocionalmente. Aliás, esse é um excelente negócio. Colaboradores tendem a adoecer menos e produzir mais quando cuidam da saúde, reduzindo diversos gastos com afastamentos e tratamentos que poderiam ter sido evitados.

Ano passado também realizamos mais de 600 mil consultas online na plataforma do Psicologia Viva. A média de atendimentos passou de 350 para quase duas mil por dia.

Repito: chegou a vez da saúde mental! Uma rápida consulta nos sites de pesquisa prova que nunca se falou tanto sobre os cuidados com a mente. Inclusive de maneira preventiva.

Bem-estar, mindfulness, meditação, autocuidado… Quantas vezes você se deparou com essas expressões? Elas estão diretamente relacionadas à saúde emocional e unidas a uma mesma essência: viver uma vida melhor, mais plena.

Dia desses li uma matéria muito interessante sobre um êxodo que a gente não podia nem imaginar há alguns anos. Casais jovens estão se mudando da cidade grande em busca de mais qualidade de vida no campo. E o mais incrível, sem abrir mão de muitos confortos das metrópoles.

A tecnologia permite o trabalho à distância, a prática de exercícios físicos sob a supervisão de grandes especialistas na sala e se consultar com um psicólogo em horários e dias mais flexíveis. Basta um dispositivo conectado à internet e pronto: o mundo inteiro cabe na palma da sua mão.

Então, acredite, o tema determinado pelo Inep para a redação do Enem não foi uma feliz coincidência. Ele foi fruto de anos de trabalho em prol do conhecimento e conscientização, e representa uma significativa vitória para todos que atuam nessa área.

O exame deu origem a um verdadeiro fenômeno! Estamos vendo milhões de pessoas, entre estudantes, professores, especialistas, profissionais da saúde, jornalistas, debatendo sobre a saúde mental, justamente durante o Janeiro Branco, movimento dedicado à conscientização sobre o tema.

Quem diria que as doenças mentais estariam em destaque nas redes sociais sem qualquer cunho pejorativo ou de desinformação?

Não existe tabu ou preconceito capaz de resistir à força do saber. Estamos todos vivendo a história acontecer diante dos nossos olhos e é por essa razão que convido você, leitor, a fazer parte desse movimento.

Procure entender sobre a saúde mental e as suas nuances, busque e compartilhe informações. Cuide do equilíbrio emocional das pessoas que fazem parte da sua vida. Cuide do SEU equilíbrio emocional.

Dito isso, fica uma questão: se tivesse feito a prova e precisasse discorrer sobre as doenças mentais em nossa sociedade, como teria se saído?

*Fabiano Carrijo é sócio da Psicologia Viva

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