‘Nossa, paizinho, ganhar R$ 1,6 mil’, diz filha de vereador ao recusar emprego sem concurso

‘Nossa, paizinho, ganhar R$ 1,6 mil’, diz filha de vereador ao recusar emprego sem concurso

Gislaine caiu no grampo com o pai, o vereador Walter Gomes (PTB), de Ribeirão Preto (SP), alvo da Operação Sevandija que descobriu fraudes de R$ 203 milhões na Câmara e na Prefeitura

Fausto Macedo e Julia Affonso

08 de setembro de 2016 | 17h30

Walter Gomes. Foto: Reprodução/Facebook

Walter Gomes. Foto: Reprodução/Facebook

O vereador e presidente afastado da Câmara de Ribeirão Preto Walter Gomes (PTB) caiu no grampo da Polícia Federal oferecendo emprego público para a filha, Gislaine, sem concurso. A moça, no entanto, recusou a boquinha de monitora de escola no bairro Simioni, zona norte da cidade, por considerar baixo o salário.

“Nossa, paizinho, ganhar R$ 1,6 mil”, refugou Gislaine.

“R$ 1,9 mil mais o tíquete”, corrigiu o vereador.

“R$ 1,9 mil, desconta, sai R$ 1.550”, retrucou Gislaine.

“Minha filha, então vai ganhar R$ 800 pra limpar casa. Enquanto todo mundo tá pedindo pra arrumar (emprego), pra você R$ 2 mil é pouco.”

“Não é R$ 2 mil, paizinho!”

Walter Gomes é alvo da Operação Sevandija, deflagrada há uma semana pela PF em atuação conjunta com o Ministério Público do Estado para estancar rombo estimado em R$ 203 milhões nos cofres públicos.

Sevandija investiga fraudes em licitações da Câmara e da Prefeitura de Ribeirão Preto, gestão Dárcy Vera (PSD) – ela sofreu buscas em sua residência e em seu gabinete no Palácio Rio Granco, sede do Executivo municipal.

Por ordem judicial, nove vereadores foram afastados das funções, entre eles Walter Gomes- em seu gabinete, a PF encontrou R$ 14,2 mil em dinheiro vivo.

Os grampos que pegaram o petebista foram divulgados pelo site Ribeirão Preto Online.

Em uma conversa com a filha, Gislaine, o vereador diz a ela da vaga na Secretaria da Educação. Mas ela se revela inconformada com o holerite.

Ante a recusa da filha em pegar a boquinha, Walter Gomes se inquieta.

“Com o tíquete dá mais de R$ 2 mil, tá bom? Tá ruim minha filha? Tem só umas 3 mil pessoas querendo isso aí. É só ela não querer. Pra ganhar do jeito que Gislaine ganha, sem trabalhar minha filha, só no outro mundo!”

Gislaine argumenta, ainda. “Então, eu ganho R$ 3 mil sem trabalhar. Agora eu vou trabalhar o dia inteiro pra ganhar R$ 1,5 mil?”

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