Nós falhamos

Nós falhamos

Rafael Cosentino*

20 de maio de 2020 | 03h00

Rafael Cosentino. FOTO: DIVULGAÇÃO

A história está dizendo que nós falhamos!

Desculpe-me, amigos, mas tudo indica que não prestamos atenção.

Falhamos por não conseguir enxergar que nosso novo inimigo é invisível e viaja de forma segura sem sintomas, sendo capaz de infectar a todos silenciosamente.

Falhamos por não compreender que um governo mentiria sobre uma guerra.

Falhamos por acreditar que o teatro de pessoas usando máscaras, roupas especiais, termômetros de pistola em pontos de controle era eficiente, e verdadeiro.

Falhamos por não exigir um fechamento completo daquela região.

Falhamos porque precisávamos daquela região.

Falhamos por concentrar toda a nossa cadeia produtiva naquele lugar.

Falhamos por permitir que pessoas voassem de um lugar que era perigoso sem qualquer controle. O que vivemos hoje poderia ter acontecido logo no começo com “apenas” os viajantes que saíssem daquele país.

Falhamos por não termos um agente internacional capaz de atuar e exigir atitudes de países muitos poderosos.

Falhamos por não termos dados sobre o tal vírus.

Falhamos por desdenhar do potencial do que estava sendo gestado.

Falhamos por duvidar que seus efeitos poderiam ser devastadores.

Falhamos por demorar para reconhecer que não se trata de um vírus e sim de uma guerra.

Falhamos por não termos dados técnicos para enfrentar essa guerra, e ainda sim tornamos verdade as informações, ao invés de adicionar apenas como mais uma hipótese para a solução.

Falhamos por acreditar que uma ciência acadêmica estaria preparada para uma guerra, numa guerra todas as decisões são tomadas em segundos e, infelizmente, a ciência precisa do seu tempo perfeito.

Falhamos por não termos feito nada desde o começo, passaram-se 4 meses e só agora montamos hospitais e estamos comprando suprimentos, nos resta: distanciamento social para alguns, desemprego para muitos e problemas graves para os menos favorecidos.

Falhamos por não entender os diversos “Brasis” que existem no nosso Brasil.

Falhamos por eleger políticos aquém da necessidade do Brasil, que ainda confundem suas funções.

Falhamos por nos deixar levar por sensacionalismos.

Falhamos por deixar que a política defina as ações que a nossa guerra precisa tomar.

Falhamos por ficar em choque assistindo a turma do Chaves, os Bananas de Pijamas, os Irmãos Metralhas, o Riquinho, a Escolinha do Professor Raimundo, entre outros personagens, discutirem o nosso futuro sem tomar decisões.

Falhamos em não cobrar que o caminho e todas as reformas sejam aprovados de forma imediata, para ajudar a ganharmos a guerra e a pavimentar uma estrada para o nosso futuro.

Falhamos por esperar decisões sábia de pessoas sem conteúdo.

Falhamos por aceitar que ditaduras ainda existam no mundo.

Falhamos por politizar esse tema tão sensível que envolve apenas saúde e economia.

Será que conseguimos resolver definindo que todos os políticos envolvidos estão proibidos de participar dos próximos dois pleitos eleitorais? Será que assim teremos soluções rápidas e eficientes para nos ajudar no combate durante essa guerra e ainda semear a prosperidade nos anos vindouros?

Falhamos por apontar os dedos uns aos outros ao invés de juntos lutarmos para ganhar.

Falhamos por não entendermos os sintomas do vírus, a fome da miséria e a morte que ambos causam, muito fácil falar sem sofrer qualquer uma dessas consequências.

Falhamos como sociedade, nossa obrigação era criar um mundo melhor para as próximas gerações, mas definitivamente ainda estamos perdidos.

Falhamos por aceitar que os nossos maiores valores ocidentais sejam atacados diariamente, temos que sempre preservar o direito à liberdade de expressão e liberdade de escolha, são nossos maiores tesouros.

Falhamos por acreditar que o mundo seria perfeito.

Falhamos por termos medo da morte.

Enfim, falhamos porque somos HUMANOS, e a única certeza que temos é de que vamos falhar de novo.

Sim, ainda precisaremos de mais alguns dias de isolamento, mas precisamos nos preocupar para que esse remédio não acabe deteriorando a economia e causando mais impacto nos pacientes.

Sim, precisamos salvar a VIDA da guerra e termos consciência dos seus efeitos futuros.

Sim, a solução para essa guerra virá da ciência e do bom senso.

Sim, precisamos de TODOS unidos, não é hora de política, e sim de BRASIL.

Sim, somente JUNTOS e com ações coordenadas e eficientes vamos vencer.

Somos TODOS BRASILEIROS, sem cor, sem raça, sem sexo e sem ideologia, somente humanos.

*Rafael Cosentino, CEO da Inovalli e sócio do Lide Futuro

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.