Noronha arquiva habeas de advogado ‘aventureiro’ em nome de Witzel

Noronha arquiva habeas de advogado ‘aventureiro’ em nome de Witzel

Pedido não foi feito pela defesa constituída do governador, que aponta ação de 'fã' e reclama que medida prejudica o caso

Paulo Roberto Netto

05 de junho de 2020 | 05h00

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, arquivou um pedido de habeas corpus apresentado por um advogado em nome do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. A ação, no entanto, não foi movida pela defesa constituída do chefe do executivo fluminense, que classificou a ação como ato de um ‘advogado aventureiro’.

Nos autos, Noronha disse que o advogado apresentou o pedido de salvo-conduto ao governador à instância errada, pois a ação deveria ser dirigida ao Supremo Tribunal Federal.

A defesa de Witzel, constituída pelos advogados Ricardo Sidi, Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, André Hespanhol e Thiago Andrade Silva, reclamou do pedido, classificando-o como a ação de um ‘fã do governador’.

“A defesa constituída não conhece, o governador não conhece. É comum que quando homens públicos são investigados e processados, aventureiros fazem habeas corpus porque qualquer um pode fazer habeas corpus”, disse o advogado Ricardo Sidi. Segundo ele, esse tipo de ação ‘afeta sensivelmente a estratégia’ da defesa. “Peço aos fãs que não façam isso porque prejudica a defesa técnica do governador”, disse.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Foto: Philippe Lima/Governo RJ

O pedido foi movido após Witzel ser alvo de buscas e apreensões no âmbito da Operação Placebo, deflagrada no final de maio contra o governador e a primeira-dama, Helena Witzel. O casal é investigado por desvios de recursos destinados à emergência do novo coronavírus no Estado.

A defesa do governador afirmou que não há ‘elemento mínimo’ que vincule o governador a qualquer tipo de irregularidade em contratações relacionadas ao combate da epidemia. A acusação, segundo a defesa, é ‘descuidada e absurda’, ‘fantasiosa’ e ‘vergonhosa tentativa de envolver o governador em supostas fraudes’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.