‘Noção de impunidade parece estar ameaçada’, diz OAB

‘Noção de impunidade parece estar ameaçada’, diz OAB

Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, avalia que 'Brasil passa por uma grave crise ética' e que 'poderosos começaram a pagar por seus crimes'

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

27 de maio de 2016 | 05h00

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O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia. Foto: Divulgação

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, disse que ‘o Brasil passa por uma grave crise ética’. Para ele, ‘o momento é complexo porque, junto com os graves problemas que afligem o País, surge oportunidade única de colocar o Brasil em rumos certos’.
Lamachia demonstrou perplexidade ante os áudios de diálogos do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente José Sarney (1985/1990) e o senador Renan Calheiros (PMDB/AL) – divulgados com exclusividade pela repórter Camila Bonfim, da TV Globo.

Os áudios revelam preocupação de Renan, Sarney e Machado com os desdobramentos da Operação Lava Jato. Em um diálogo, Renan ataca o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem chama de ‘mau caráter, mau caráter’.

“Nos últimos anos, a sociedade começou a ver pessoas poderosas começarem a pagar pelos crimes que cometeram”, disse Lamachia. “Agora, com a Lava Jato, nota-se um processo de investigação de desvios que ainda comprometem o sucesso do país.”

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O presidente da OAB considera que ‘a noção de impunidade parece estar ameaçada e, por isso, algumas pessoas podem estar incomodadas’.

“Mas a lei deve valer para todos, seja quem for, não importa o cargo ou função que exerça nem a classe social. Temos que caminhar rumo a aplicação dessa regra: todos são iguais perante a lei.”

Claudio Lamachia disse que a Ordem ‘cobra que as investigações sejam conduzidas dentro do que a lei permite, sem que as autoridades cometam abusos ou violem os direitos das pessoas que são investigadas’.

“É preciso garantir o acesso à ampla defesa e ao devido processo legal. Grampos em conversas entre advogados e seus clientes são inadmissíveis em um Estado Democrático de Direito. É preciso combater o crime com meios lícitos. Combater o crime praticando outros crimes só vai resultar no desperdício da chance que o Brasil tem de mudar para melhor.”

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