No rastro de quem visitou os operadores do PMDB

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PF pede a Moro autorização para vasculhar registros de entrada das empresas dos doleiros Jorge luz e seu filho Bruno para identificar quem eles recepcionaram

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

13 Março 2017 | 05h00

Jorge e Bruno Luz. Fotos: Reprodução

Jorge e Bruno Luz. Fotos: Reprodução

A Polícia Federal quer acesso aos dados dos celulares dos lobistas Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, acusados de operarem propinas para o PMDB, e também apurar os registros das pessoas que entraram e saíram nas empresas dos lobistas entre 2006 e 2013.

As medidas, que fazem tremer uma legião de políticos, principalmente os do partido do governo Temer, foram autorizadas na última sexta-feira, 10, pelo juiz da Lava Jato. Na ocasião, Moro acatou o pedido da PF para prorrogar por mais 15 dias o inquérito que apura as suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo os lobistas.

Os investigadores pediram mais tempo para obterem a “extração e indexação do conteúdo dos celulares apreendidos com os investigados”, além dos registros de entradas e saídas das empresas de Jorge Luz, que atua como lobista na Petrobrás desde, pelo menos, 1986, e seu filho.

A REDE DE EMPRESAS DE JORGE E BRUNO LUZ:

ARANHA EMPRESAS LUZ

“Razoável, então, não ter havido tempo hábil para a análise de todo o material apreendido, conforme noticia a autoridade policial, sendo salutar a concessão do prazo adicional previsto em lei para a finalização da investigação”, assinalou o juiz da Lava Jato na decisão de sexta.

O prazo inicial para a conclusão das investigações era neste sábado, 11.

A prisão preventiva de Jorge e Bruno Luz foi decretada, no Brasil, por Moro na 38ª fase da Lava Jato, chamada de Blackout. Deflagrada no dia 23 de fevereiro, a operação também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão na residência e nas empresas dos investigados no Rio de Janeiro. Além disso, o juiz Sérgio Moro também decretou o bloqueio de R$ 50 milhões dos investigados.

Jorge e seu filho Bruno são acusados de movimentarem pelo menos US$ 40 milhões em propinas para agentes públicos e políticos do PMDB, em cinco contratos da Petrobrás, no Brasil, Argentina e África. Aos 73 anos, o “empresário” Jorge Luz é considerado por investigadores da força-tarefa de Curitiba o verdadeiro “homem-bomba” do PMDB.

Relatório de informação do Ministério Público Federal mapeou nove empresas ligadas ao lobista  que seriam usadas para ocultar movimentação ilegal de dinheiro, em especial, em contratos da Petrobrás.

A Lava Jato considera ter identificado a rede de empresas de Luz usadas para lavar dinheiro. Por meios delas, a força-tarefa quer chegar aos valores pagos nos negócios já delatados por outros investigados e expandir as apurações.

A defesa de Jorge e Bruno Luz não quis se manifestar sobre o a decisão de Moro.

 

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