No grampo com Dilma, Lula chama de ‘canalhas’ força-tarefa da Lava Jato

Ex-presidente caiu na interceptação telefônica da Polícia Federal no dia em que foi conduzido à força para depor no inquérito da Operação Aletheia e fez acusações aos investigadores

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fábio Fabrini e Mateus Coutinho

17 de março de 2016 | 12h10

Lula é o novo ministro-chefe da Casa Civil. Foto: André Dusek/Estadão

Lula é o novo ministro-chefe da Casa Civil. Foto: André Dusek/Estadão

Para o ex-presidente Lula, os investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato são ‘canalhas’. Na tarde de 4 de março, poucas horas depois de ter sido conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para depor em uma sala no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, Lula caiu no grampo com a presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente demonstrava muita irritação. Ele estava na sede do Diretório Nacional do PT quando recebeu ligação do Palácio do Planalto. Sem citar nomes, o petista queixou-se a Dilma que não havia necessidade de ser levado à força para depor, mas disse o que pensa dos investigadores.

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“Se os canalhas tivessem mandado um ofício teria ido prestar depoimento”, disse o ex-presidente.
Ele relatou a Dilma que ‘já foi três vezes a Brasília prestar depoimento’. E acusa o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato de patrocinar ‘um espetáculo de pirotecnia’.

“É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes, querida”, ele disse à presidente. “Eles estão convencidos de que com a imprensa chefiando o processo investigatório eles conseguem refundar a República.”

No mesmo diálogo, Lula fala a Dilma sobre suas preocupações e aponta para a cidade onde se aloja a força-tarefa que fez ruir o cartel de propinas na Petrobrás, o maior escândalo de corrupção já descoberto no País. “Eu estou, sinceramente, estou assustado é com a república de Curitiba porque a partir de um juiz de primeira instância tudo pode acontecer nesse País, tudo pode acontecer.’

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