No Dia dos Namorados… namore-se

No Dia dos Namorados… namore-se

Emanuela Carvalho*

12 de junho de 2019 | 07h00

Emanuela Carvalho. FOTO: MARCELO ROSAS

A data é comercial, sabemos disso. Mas se o objetivo é marcar de forma especial as conquistas de uma relação a dois, que mal tem comemorar o dia 12 de junho? Nenhum!

Mas, se a solteirice for a sua companhia nesse dia, o que fazer?

Primeiro, vale repetir aquela máxima: você não precisa passar o dia da árvore com uma árvore para comemorar o dia 21 de setembro. Se essa não funcionar, tem outra, e essa é melhor ainda: antes feliz do que mal acompanhada!

Prefiro acreditar que ao longo dos anos as pessoas têm ficado menos ansiosas em relação ao dia dos namorados. A maturidade também vai mostrando que há um tanto de clichê nessa proposta de comemoração que pode ser dispensado. Exemplos? Filas enormes nos restaurantes, flores mais caras na floricultura, engarrafamento na porta daquele “hotel” ao lado da faculdade (que tem pernoite, sabe?).

Mas a proposta então é não comemorar esse dia? Esquecer que ele existe? Não! A ideia é alimentar o relacionamento durante todo ano… e assim não precisar competir nessa corrida louca para agradar no dia 12, mais precisamente.

Bom, mas a ideia aqui é falar sobre quem está só nesse dia e não sobre quem já encontrou o seu pé geladinho para grudar no seu de madrugada.

Aceitar a solidão é fundamental para uma vida plena e feliz. E você pode viver a solidão a dois, inclusive (talvez seja a pior experiência). Se você tem medo de estar só, o seu pânico lhe transforma num dependente emocional, isso é, você aceita qualquer coisa para ter alguém ao seu lado. Não só aceita, como implora, se ajoelha, pede “por favor”, para receber aquela migalha de atenção.

Se você tem medo de estar só e está, corre um sério risco: ficar com qualquer pessoa. Digo qualquer, no sentido de estar com alguém que não seja aquela companhia agradável que você procura e merece, que o beijo não seja bom, que não haja paixão, vontade de ouvir a voz todos os dias antes de dormir, de contar como está a vida, alguém especial. Isso é tão perigoso que, numa relação assim, que basta existir, você pode perder totalmente o controle das suas emoções e da sua vida em função de outra pessoa.

Continuemos no “se você tem medo de estar só”… e está com alguém numa relação que já nem existe mais, seja porque vocês mais se parecem com dois celibatários, ou com estranhos dividindo o mesmo espaço, é hora de buscar coragem para se libertar. Se essa coragem está adormecida, a hora então é de buscar ajuda.

Segue aquele conselho que muitos podem entender como ofensa, mas que na verdade, é o melhor que você poderia receber se está nessa situação: vá se tratar! Fazer uma terapia, buscar um grupo de apoio, algo que lhe fortaleça e lhe faça prestar atenção na sua própria vida, nas suas vontades e no quanto seria bom, por um tempo, dois tempos, o que seja, ficar em sua própria companhia.

Se você tem medo de ficar só e vive numa relação abusiva, ouvindo o tempo todo que ninguém mais no mundo irá gostar de você… aí é porque já passou – e muito – da hora de buscar ajuda. É preciso urgentemente mudar o rumo da sua vida. Mas aí é sem culpa! É erguer a cabeça sabendo que é vítima de um abuso e não o contrário.

Mas se você é daquelas pessoas que já aprendeu a curtir a própria companhia, que ama estar só com os seus pensamentos tanto quanto ama desfrutar da presença de pessoas amigas, você é um ser evoluído! Que tal ajudar aquela pessoa que não consegue – ainda – fazer o mesmo? Que tal estimular aquela amiga solteira que curte uma fossa nesse dia porque não recebeu um buquê de flores no trabalho com um cartão apaixonado a pensar “fora da caixinha”, saindo dos padrões do amor-perfeito?

Que tal nesse dia 12 você dedicar a você mesma todo carinho, amor e atenção que merece… e que estaria pronta para dar a outra pessoa, mas nunca pensou em fazer isso? Que tal tirar esse dia para “se namorar”? Comece escrevendo uma listinha do que você faria se tivesse acompanhada: salão de beleza? Roupa nova? Chocolate? Flores? Maquiagem? Cinema? E conclua fazendo tudo isso por você.

Pode parecer aquela conversa de livro de autoajuda – e talvez seja – mas funciona! Experimente!

Viva, ame-se incondicionalmente. E se aparecer alguém nesse contexto, será, com toda certeza, alguém que se encante pelo jeito com que você se sente especial, se gosta e se cuida.

Nesse dia 12 de junho, namore-se. E em todos os outros dias também.

*Emanuela Carvalho, professora e autora dos livros A Terceira Pessoa Depois de Ninguém e Antes Feliz do que Mal Acompanhada

 

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