No Dia da Escola, uma reflexão sobre a escola do futuro

No Dia da Escola, uma reflexão sobre a escola do futuro

Camila Cardoso*

14 de março de 2021 | 10h30

Camila Cardoso. FOTO: DIVULGAÇÃO

No dia 15 de março é comemorado no Brasil o Dia da Escola. Em 2021, essa celebração ocorre em meio a um cenário de transformação, repleto de desafios, mas marcado também por inovações e aprendizados importantes vindos de 2020 com as condições impostas à toda a sociedade pela pandemia do Covid-19. Experiências que moldam o futuro das escolas, da educação e dos modelos de aprendizagem.

A imagem da sala de aula com cadeiras e mesas enfileiradas e o conteúdo sendo transmitido pelo professor no quadro negro parece não fazer mais sentido nos dias de hoje.  A escola de 2021 é marcada pela transformação digital e tendo a consolidação da tecnologia como ferramenta de apoio ao ensino em um modelo híbrido, sendo viabilizadora da continuidade de aulas para milhões de alunos ao longo do ano letivo, em todo o mundo.

Por causa da Covid-19 e isolamento social, mais de 55 milhões de pessoas foram impedidas de frequentar o ambiente escolar presencial e precisaram encontrar meios de migrar para o digital, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Entre maio e junho do ano passado, 48% das escolas de Educação Infantil do estado de São Paulo contrataram ferramentas tecnológicas para dar apoio às aulas, enquanto 46% do Ensino Fundamental II) e 56% do Ensino Fundamental I adotaram ferramentas e conteúdos gratuitos, de acordo com a Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED).

O que a experiência da pandemia ressaltou foi a viabilidade para implementação do modelo híbrido no ensino básico brasileiro, a partir da necessidade que se sentiu, ao longo do isolamento social, de adotar ferramentas de tecnologia educacional. O fortalecimento do ensino híbrido, que une o dinamismo e a infinidade de alternativas do mundo digital com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos alunos na sala de aula, passa a ser uma realidade cada vez mais presente, que abre um horizonte de muitas oportunidades para a educação.

O desafio agora é escolher abordagens de ensino que vão além da transmissão de aulas à distância, mas que também abram possibilidades e proporcionem suporte para novas formas de aprendizagem com uso de ambientes digitais. Nesse caso, além de potencializar a qualidade da educação, desenvolvendo as metodologias já existentes no ambiente escolar, a plataforma de ensino digital ideal oferecerá recursos que viabilizarão o modelo de aula híbrida.

A tecnologia amplia a autonomia e responsabilidade do próprio aluno no seu processo de desenvolvimento da aprendizagem, por meio de recursos que o ajudam a ‘aprender a aprender’, resolver problemas e desafios digitalmente como, por exemplo, um hackathon.  A proposta da escola digital híbrida é justamente promover um momento à distância que tenha a intencionalidade pedagógica diferente do momento presencial, deixando de ser um recurso de transposição da aula que antes era ministrada em sala de aula.

A multimodalidade também auxilia o despertar do interesse pelo conhecimento, engaja e estimula o aprendizado significativo. Isso abrange o uso de jogos, vídeos e outros formatos de conteúdo, além de laboratórios experimentais de inovação e programação no ambiente virtual. Tudo isso contribui para a descentralização da sala de aula, prevista pelo modelo híbrido. Os alunos assumem o protagonismo do aprendizado e criam suas próprias trilhas de conhecimento, tendo como mentores os professores.

A coleta de dados é outra vantagem significativa que as plataformas digitais podem oferecer quando pensamos na nova configuração das aulas, contribuindo para a personalização do conteúdo trabalhado em aula e permitindo o acompanhamento em tempo real da implementação do novo modelo, com as intervenções necessárias de forma mais assertiva. Os processos pedagógicos deixam de se basear em percepções e passam a se desenvolver com base na análise de dados e evidências.

Há que se considerar que os alunos são nativos digitais, fluentes nessa linguagem, e o modelo híbrido apenas facilita essa troca, promovendo maior dinamismo, mais criatividade e proatividade, abrindo novos caminhos. Com a volta das aulas presenciais, a adoção de modelos de ensino híbrido, que combinam atividades presenciais com conteúdo e experiências digitais, oferece a oportunidade de dinamizar e aprimorar ainda mais a experiência escolar.

Mais do que uma “evolução dos processos de ensino-aprendizagem”, a integração do analógico às plataformas digitais é uma adaptação à realidade que já estamos vivendo – uma sociedade na qual quase tudo o que fazemos integra o analógico e o digital, desde os ambientes de trabalho até a maneira de consumir produtos e serviços. Se aprendemos algo com a pandemia, foi que a habilidade de se adaptar e a disposição para conquistar os desafios de um mundo em transformação constante é o que define a escola bem sucedida do século XXI.

*Camila Cardoso, vice-presidente de educação digital da Somos Educação

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