Auditores do Trabalho resgataram 1246 ‘escravos’

Auditores do Trabalho resgataram 1246 ‘escravos’

Auditores-fiscais inspecionaram 159 estabelecimentos, entre janeiro e os primeiros quinze dias de outubro; número de trabalhadores em condições análogas às de escravidão é 93% maior do que o registrado em 2017; no campo, foram 377 casos, nas regiões urbanas, 869

Redação

18 de outubro de 2018 | 17h32

Trabalhador resgatado em ação do Ministério do Trabalho e da PF. Foto: Ministério do Trabalho

Há ‘escravos’ no Brasil que Fernando Haddad e Jair Bolsonaro disputam. Nesta-quinta, 18, o Ministério do Trabalho divulgou balanço das ações de seus auditores-fiscais, no período de janeiro aos primeiros quinze dias de outubro deste ano – foram resgatados 1.246 cidadãos em situações análogas às de escravo, contingente 93% maior do que o encontrado ao longo de todo o ano passado (645).

Minas foi o estado em que foi encontrado o maior número de trabalhadores (754) nessa situação, seguido do Pará (129) e Mato Grosso (128), informou a Assessoria de Imprensa do Ministério do Trabalho.

As três atividades que mais registraram casos de trabalho escravo foram a criação de bovinos, o cultivo de café e a produção florestal (plantio de florestas).

Durante as operações, realizadas em 159 estabelecimentos, foram formalizados 651 trabalhadores, emitidas 601 guias de seguro-desemprego e pagos R$ 1,7 milhão em verbas rescisórias aos resgatados.
O meio urbano foi onde os fiscais mais encontraram situações de trabalhadores em situações degradantes (869); no rural foram 377 casos registrados.

O chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), Maurício Krepsky, avalia que o crescimento do número de trabalhadores encontrados em situação análoga à de trabalho escravo ‘está ligado ao planejamento eficiente das ações de combate a essa prática ilegal’.

“Foi dada prioridade ao planejamento prévio das ações, com incursão de auditores-fiscais de trabalho em operações de inteligência fiscal, a fim de delimitar espaço e tempo precisos para flagrar os ilícitos. Considerando as operações em andamento, já foi ultrapassado o número de resgatados no ano passado”, ressalta Maurício Krepsky.

Radar – As informações sobre o combate ao trabalho análogo constam do Radar do Trabalho Escravo, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), uma ferramenta de consulta pública aos resultados consolidados da inspeção do trabalho no Brasil, que pode ser acessada pelo endereço https://sit.trabalho.gov.br/radar/.

O Radar possui ainda informações sobre o combate à informalidade, sonegação de FGTS, inserção de aprendizes e portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho, acidentes de trabalho e ações fiscais de prevenção a acidentes e doenças do trabalho, autos de infração lavrados pelos auditores-fiscais do trabalho e política pública de combate ao trabalho escravo.

No Radar é possível a qualquer cidadão ter acesso às informações de toda a história do combate ao trabalho escravo no Brasil, desde 1995, e de outras ações desenvolvidas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho.

As denúncias de trabalho análogo ao de escravo podem ser feitas nas unidades do Ministério do Trabalho em todo país e também por meio do Disque Direitos Humanos (Disque 100).

Mais conteúdo sobre:

Trabalho Escravo