New York, New York

New York, New York

Fernando Goldsztein*

01 de dezembro de 2020 | 05h00

Fernando Goldsztein. Foto: CRISTIANO SANTANNA/INDICEFOTO

A belíssima canção que dá o título a este texto foi composta por Fred Ebb e John Cander em 1977 e eternizada na voz de Frank Sinatra. Tornou-se uma das melodias mais conhecidas de todos os tempos. Uma justa homenagem à “cidade que nunca dorme”. São oito milhões de habitantes nas suas cinco macro-regiões (Staten Island, Queens, Brooklin, Bronx e Manhattan)  e quase dezenove milhões em toda a região metropolitana. A sua diversidade étnica e cultural  não tem paralelo no mundo. Estima-se que oitocentos idiomas e dialetos (segundo o jornal New York Times) são falados nas suas ruas. Trinta e sete por cento da sua população atual nasceu em outros países. São imigrantes de todos os cantos do mundo que buscam realizar o “American Dream”. Tudo é grandioso em Nova Iorque. É a sede da ONU (organização das Nações Unidas); é o principal centro financeiro do mundo; possui a maior concentração de “arranha céus” do planeta; o seu distrito de teatros, a Broadway, reúne nada menos do que quarenta e uma casas de espetáculo. E ainda, locais como o Central Park e o Greenwich Village são frequentemente usados como “set” de filmagens.

Nenhum outro lugar aparece mais no cinema e na televisão do que Nova Iorque. Eu tive a oportunidade de visitá-la recentemente, em plena pandemia. A cidade, como todos sabem, foi duramente atingida pelo novo coronavírus logo nos primeiros meses. Pude ver, com meus próprios olhos, o estrago causado na metrópole mais pujante do planeta. Ao vagar pelas suas ruas, não se vê mais as tradicionais hordas de turistas (o turismo caiu noventa e três por cento em relação ao ano passado). Nada dos milhares de executivos entrando e saindo dos seus enormes prédios de aço e vidro. O Uber flui tranquilamente sem os congestionamentos, as buzinas e as sirenes tão comuns na cidade. Os restaurantes, limitados a ocupar somente vinte e cinco por cento dos seus salões, povoam as calçadas com mesas sob tendas. Muitas lojas encerraram as atividades enquanto cinemas, teatros e vários hotéis, seguem fechados. Um cenário inimaginável e muito triste.

Ver uma cidade com a força de Nova Iorque ajoelhada perante o vírus é  chocante. Dá uma dimensão ainda maior desta doença nefasta. Porém, a boa notícia é que os primeiros sinais de recuperação já podem ser vistos. Nova Iorque conseguiu controlar a pandemia e começa a desabrochar. A cidade, pouco a pouco, vai retomando a sua força. Porém ainda com muita cautela a fim de evitar a dita segunda onda que já é uma realidade em muitas outras regiões dos Estados Unidos. Precisamos ter a mesma cautela no Brasil. As notícias alvissareiras da vacina somadas ao esgotamento da população e da economia, tem feito os brasileiros baixarem a guarda de forma preocupante. É necessário  um pouco mais de paciência. Enquanto a(s) vacina(s) não for(em) devidamente aprovada(s) e distribuída(s), não podemos ignorar a ameaça que a pandemia ainda representa.

Especialmente aqui no Brasil onde, tudo indica, tardaremos  bem mais do que nos países desenvolvidos para termos a  vacina. Portanto, temos que continuar fazendo a nossa parte, por mais exaustos que estejamos. Não podemos morrer na praia! Usar a máscara, higienizar as mãos frequentemente e manter o distanciamento social é o que pode e deve ser feito. Lembre-se: Você pode estar cansado do vírus mas o vírus não está cansado de você.

*Fernando Goldsztein, empresário

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