‘Neste País, empresário não consegue nada se não tiver lobby’, diz doleiro da Lava Jato

‘Neste País, empresário não consegue nada se não tiver lobby’, diz doleiro da Lava Jato

Alberto Youssef disse à Justiça Federal que "pediu ajuda" a deputados do PT para 'abrir as portas' no Ministério da Saúde

Redação

31 de março de 2015 | 18h55

Os ex-deputados André Vargas e Cândido Vaccarezza, a partir da esquerda. Fotos: Estadão.

Os ex-deputados André Vargas e Cândido Vaccarezza, a partir da esquerda. Fotos: Estadão.

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O doleiro Alberto Youssef, delator da Operação Lava Jato, afirmou à Justiça Federal que nenhum empresário não consegue negócios no poder público se “não tiver um lobby”. Em depoimento nesta terça-feira, 31, Youssef relatou como se aproximou do laboratório Labogen, que ele tentou infiltrar no Ministério da Saúde, em 2013, gestão do então ministro Alexandre Padilha (PT).

VEJA O DEPOIMENTO DE ALBERTO YOUSSEF

Ele disse que “pediu ajuda” a deputados do PT, naquele ano, para “abrir as portas” do Ministério da Saúde para o Labogen, que alega ter encontrado em más condições financeiras. Segundo Youssef, o pedido para facilitar o acesso à Saúde foi feito para André Vargas (PT/PR) – cassado em 2014 – e Cândido Vaccarezza (PT/SP), ex-líder do governo Lula na Câmara.

“Pedi a interferência (de Vargas e de Vaccarezza) simplesmente de abertura de portas”, declarou o doleiro. “Infelizmente, se você hoje não fizer um lobby, nenhum empresário consegue entrar em nenhuma parte do poder público para prestar serviços. Infelizmente, nesse País funciona assim.”

Segundo Youssef, “não é fácil você pegar uma empresa que está parada há vários anos e simplesmente bater na porta do Ministério da Saúde e ser bem atendido”.

“Isso não iria acontecer nunca (sem a ‘ajuda’ dos parlamentares petistas), até porque as outras concorrentes iriam fechar as portas”, afirmou o doleiro. “Se você não tivesse alguém te indicando ou auxiliando na abertura de portas não consegue.”

Vargas e Vacarezza não foram localizados.