‘Nesse mar de corrupção afundou o esporte aquático brasileiro’, diz procuradora da Águas Claras

‘Nesse mar de corrupção afundou o esporte aquático brasileiro’, diz procuradora da Águas Claras

Segundo Thámea Danelon, durante a investigação, 'vários atletas' foram ouvidos: 'depoimentos eram unânimes no sentido de que eles perceberam as irregularidades'

Julia Affonso e Fausto Macedo

06 de abril de 2017 | 12h22

Thaméa Danelon. Foto: Divulgação

Thaméa Danelon. Foto: Divulgação

A procuradora Thaméa Danelon, da Operação Águas Claras, afirmou nesta quinta-feira, 6, que o esporte aquático brasileiro ‘afundou’ num mar de corrupção. O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, foi preso preventivamente.

As investigações da Águas Claras apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que não teriam sido ‘devidamente’ aplicados nos esportes aquáticos.

“O fomento tem que ser ao esporte, tem que ser destinado aos atletas. Entre ir um dirigente de classe executiva e um atleta, acredito que seja mais razoável ir o atleta. Foi possível constatar que nesse mar de corrupção, afundou o esporte aquático brasileiro”, afirmou a procuradora.

“A exemplo disso temos a Olimpíada de 2016 em que apenas um atleta foi medalista na modalidade de maratona aquática.”

Thaméa Danelon declarou que durante a investigação foram ouvidos ‘vários atletas, campeões olímpicos, campeões mundiais’.

“Os depoimentos eram unânimes no sentido de que eles perceberam as irregularidades e que essas irregularidades refletiam diretamente no treinamento deles. Muitos depuseram no sentido de que para competições internacionais não eram voos diretos, eram voos com muitas escalas. Eles viajavam sempre na classe econômica. Atletas com 1.90m de altura, diversas horas, chegavam na destinação do campeonato e muitos se queixavam que não tinha acompanhamento médico. De fato isso repercutia no treinamento, no resultado e no desenvolvimento dos atletas”, declarou a procuradora.

Entre as fraudes, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista há uma Pet Shop.

Também é objeto da Operação Águas Claras, a contratação com indícios de irregularidade de agência de turismo, que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Essas contratações irregulares eram realizadas com verbas federais obtidas através de convênios com o Ministério dos Esportes.

A operação também apura a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de 50 mil dólares americanos que deveriam ter sido repassados a atletas. Além disso, estima-se que cerca de R$ 5 milhões, provenientes do Ministério dos Esportes, deixaram de ser aplicados na modalidade polo aquático. Embora a CBDA tenha recebido esta verba federal para aplicação nos torneios nacionais e internacionais, seus dirigentes não autorizaram a ida da seleção de Polo Aquático Júnior, campeã sul-americana e panamericana, para o Mundial do Cazaquistão, sob o argumento da falta de recursos financeiros.

Na esfera cível, o MPF já ofereceu duas ações de improbidade administrativa contra o presidente da Confederação, Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho, outros dirigentes e empresários pelas fraudes em licitações para a aquisição de itens esportivos.  A Operação Águas Claras está sendo conduzida pela Polícia Federal e pelos Procuradores da República do Núcleo de Combate à Corrupção em São Paulo Thaméa Danelon, José Roberto Pimenta Oliveira e Anamara Osório Silva, com a participação da Controladoria-Geral da União.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

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