Nenhuma empresa da Lava Jato vai entregar menos de 70% de seu lucro, diz futuro AGU

Nenhuma empresa da Lava Jato vai entregar menos de 70% de seu lucro, diz futuro AGU

André Luiz de Almeida Mendonça disse nesta segunda, 26, em evento do Consultor Jurídico que União está recebendo via acordos de leniência

Teo Cury e Amanda Pupo/BRASÍLIA

26 Novembro 2018 | 19h53

André Luiz de Almeida Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro para a Advocacia Geral da União Foto: Divulgação/AGU

O futuro chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), André Luiz de Almeida Mendonça, afirmou na tarde desta segunda-feira (26) que nenhuma empresa envolvida na Operação Lava Jato assinará acordos de leniência pagando multa menor do que o equivalente a 70% de seu lucro. “Estamos recebendo nos acordos de leniência no mínimo 70%. Fazendo concessões de 30%. Mas nós podemos chegar a mais de 100% de recuperação fazendo concessões”, disse.

Segundo Mendonça, o acordo de leniência é o instrumento jurídico com maior capacidade no Brasil de prevenção e combate à corrupção, desde que fazendo-se concessões. “Nós estamos recuperando mais dinheiro, obtendo mais identificação de pessoas que participaram desse ilícitos e estamos gerando uma cultura de integridade empresarial nessa relação Estado e setor privado”, disse.

“Durante todo o prazo de vigência do acordo, Odebrecht será submetida a inspeções semestrais no âmbito da implementação e execução dos seus programas de integridade. Essas empresas estão formando parceria na prevenção e combate à corrupção, estão assumindo compromissos onerosos de integridade, não é barato, e isso está embutido no valor do acordo e é considerado também no valor do acordo”, exemplificou.

De acordo com ele, a base fundamental dessa relação é a boa fé entre partes. “As partes serem íntegras e honestas. Quando procurarem a AGU, a CGU e Judiciário que sejam honestas. Quando se parte do viés de boa fé, a busca de soluções se torna muito mais fácil, porque o gestor público vai ter segurança de que está construindo solução para o bem público. E não somente para atender interesses privados ou interesses públicos ocultos e não legítimos.”