Nem fáceis, nem difíceis, mas mulheres que exigem respeito

Nem fáceis, nem difíceis, mas mulheres que exigem respeito

Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães*

08 de março de 2022 | 09h20

Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães. FOTO: DIVULGAÇÃO

No Dia Internacional das Mulheres intensifica o nosso olhar de repúdio, nossos atos de resistência para lugares indesejados que insistem em colocarem as mulheres. A história de sobrevivência e liberdade das mulheres não foi fácil , basta revisitar o legado das fortes mulheres que nos ensinaram a exigir respeito e garantia de direitos.

Nessa data importa reconhecer o  potente significado  do  dia 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres. Pois, no ano de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos situada em Nova Iorque fizeram uma grande greve, ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como: redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

Entretanto, a violência imperou contra as mulheres, que foram trancadas dentro da fábrica e incendiadas. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, numa ação totalmente desumana. O ato de coragem emanado por aquelas mulheres e, sobretudo, o sonho pela igualdade e justiça, foram covardemente incendiados, porém, as sementes resistiram ao calor do ódio e germinaram nas cinzas.

Assim, em memória à luta delas, foi decidido em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, que o dia 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Entretanto, se avanço o lapso temporal e deparo-me com o tempo presente, reconheço com intimidade os gritos de luta, de socorro e de reivindicações de todas as mulheres. Não há que se presentear com flores diante de um deserto tão árido. Segundo dados da ONU, o Brasil ocupa o 5º lugar em mortes de mulheres. Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas ao sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital. As estimativas revelam que, em trinta países, pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres no mundo sofreram alguma forma de mutilação genital feminina.

O fogo da violência persiste e viola os mais singelos direitos das mulheres, o direito à dignidade, a integridade física e moral, a igualdade, a liberdade sexual e à vida. Eleger um dia para comemorar o Dia Internacional das Mulheres transpõe uma solenidade fugaz, remetendo-nos a um profundo processo de reflexão e transformação.

Para além das flores, nossos jardins necessitam de garantias fundamentais que assegurem às mulheres liberdades basilares, execução de leis de combate à violência de gênero e o incremento de políticas públicas em favor das mulheres, pois elas são sustentáculos imprescindíveis para o processo de transformação em âmbito mundial.

Assim, espera-se que o vespeiro da violência e violações contra as mulheres seja banido do nosso jardim, que as mulheres/borboletas batam suas imponentes asas com voos livres, belos e empoderados. Que a polinização da igualdade de gênero, da garantia dos direitos humanos e o fim da violência sejam uma realidade a ser comemorada com muitas flores.

Reflexivo Dia Internacional das Mulheres para todas nós!

*Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães, advogada, palestrante e consultora jurídica

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