‘Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos’

Beto Richa nega envolvimento em desvios e ataca ex-aliado que diz ter arrecadado propinas para suas campanhas e despesas da família, em proposta de delação premiada na Quadro Negro

Redação

05 Junho 2018 | 20h39

Beto Richa, ex-governador do Paraná. Foto: Estadão

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB),  que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições, afirma que o ex-aliado Maurício Fanini, que tenta um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Quadro Negro, que apura desvios em obras de escolas no Estado, “mente descaradamente”.

“Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos”, afirma Richa, em nota divulgada nesta terça-feira, 5.

O ex-diretor da Secretaria Estadual de Educação do Paraná Maurício Jandoi Fanini Antonio afirmou em proposta de delação premiada entregue ao Ministério Público Federal que arrecadou propinas para o ex-governador Beto Richa e que tratou diretamente dos valores com o tucano.

Richa seria o principal beneficiário da arrecadação de valores com empresas contratadas pelo Estado, segundo o delator – preso em 2017 na Quadro Negro.

Para o ex-governador, a delação de Fanini não será aceita pela Justiça e representa uma tentativa desesperada de “envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas” e que carecem de provas.

“Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?”

O ex-governador criticou o “vazamento criminoso” dos anexos da delação. “Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo”, acusa Richa.

“Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.”

LEIA A ÍNTEGRA NA NOTA

Nota de esclarecimento

“A proposta de acordo de colaboração premiada de Maurício Fanini ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente.

Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo.

Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.

O que esses criminosos pretendem? Ora, a resposta é muito simples! Pretendem conseguir a redução das penas a que certamente serão condenados pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça, mesmo que para isso tenham que envolver pessoas honestas.

No caso de Maurício Fanini, a condenação pelos crimes praticados e por ele próprio confessados chegará a 50 (CINQUENTA) anos de prisão !

Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.

Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?

É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.

E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos.

A compra do apartamento do meu filho Marcello foi realizada de forma regular, com recursos próprios e transferência bancária, sem a utilização de dinheiro vivo, o que foi esclarecido também pelo vendedor do apartamento, que foi ouvido duas vezes pelo Ministério Público Estadual.

Igualmente é criminosa a afirmação de que minha mulher teria solicitado 1.000 dólares para uma viagem de meu filho André ao Peru. Quem nos conhece sabe que não precisamos disso e a afirmação beira o absurdo.

Repito: é uma delação criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar.

Curitiba, 5 de junho de 2018.
Beto Richa
Presidente do PSDB-PR”

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