Nem Dilma, nem Lula, ninguém do PT. ‘Nunca mandaram nenhum recadinho de apoio’

Nem Dilma, nem Lula, ninguém do PT. ‘Nunca mandaram nenhum recadinho de apoio’

Delatora Monica Moura diz que ela e o marido João Santana não receberam solidariedade quando foram presos na Operação Acarajé, em fevereiro de 2016

Fausto Macedo, Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Bernardo Gonzaga, Deivlin Vale* e Liana Costa

12 de maio de 2017 | 17h13

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato

A empresária Monica Moura reclamou, em sua delação premiada, que ninguém do PT procurou a ela ou ao seu marido, o publicitário João Santana, para prestar solidariedade quando foram presos pela Polícia Federal, em fevereiro de 2016, na Operação Acarajé, desdobramento da Lava Jato.

Em depoimento a procuradoras da República, Monica foi indagada. “Na prisão alguém do Partido dos Trabalhadores procurou vocês?”

“Nunca, nem nossos filhos pra dizer uma palavra de apoio, nunca”, respondeu a delatora.

“A Dilma não?”, indagou uma procuradora.
“Nunca.”

“Nenhum emissário da Dilma?”

“Nunca, nunca.”

“Não tinham medo que vocês falassem alguma coisa?”, seguiu a procuradora.

“Imagino que sim, imagino que sim, mas nunca mandaram nenhum recadinho de apoio, nem um recadinho de ameça, nem um recadinho de medo, nenhuma… nada, nada, zero, nem ela (Dilma)”, afirmou Monica.

“Por que isso?”

“Sei lá, medo de se envolver em alguma coisa, medo de…sei lá, medo, desespero.”

“Nem Lula?”

“Não, nunca mais desde essa época, tem um ano, que não falamos com nenhum deles.”

A procuradora perguntou, então, se quando ainda estavam em liberdade, mas já acuados pela Lava Jato, se não pensaram em falar com o ex-presidente Lula.

“Não, com Lula não”, disse Monica.

“João não falou com Lula?”

“Com Lula, não. Nessa época, não. Isso foi em 2015 já.”

“Não tinham a impressão que como Dilma não estava resolvendo, Lula não podia interceder?”

“Dilma era presidente da República. Se ela não podia resolver, imagina Lula que não era mais nada. Era uma coisa que não tinha saída, não tinha muito o que fazer. Fugir a gente não ia jamais. Ela (Dilma) não podia chegar e proibir nossa prisão.”

*Sob supervisão de Fausto Macedo

https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=x4PLbEyN3x4

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.