Nas fotos, o jantar do diretor da JBS com o procurador do ‘mensalinho’

Nas fotos, o jantar do diretor da JBS com o procurador do ‘mensalinho’

Como parte da delação premiada, executivo do grupo empresarial entregou imagens de reunião na casa do advogado Willer Tomaz da qual participou Ângelo Goulart, membro da força-tarefa da Greenfield que foi preso por suspeita de receber R$ 50 mil mensais em troca de vazamento de informações estratégicas

Luiz Vassallo

24 de maio de 2017 | 05h00

O diretor da JBS Francisco de Assis e Silva afirmou, em delação premiada, ter participado de um jantar na casa do advogado Willer Tomaz, em Brasília, com o procurador da República Ângelo Goulart Villela. Na reunião, segundo Assis e Silva, seriam entregues documentos que ‘ajudariam’ o integrante da força-tarefa da Operação Greenfield a convencer um colega seu no Ministério Público Federal a adotar a versão da defesa do grupo e evitar que a empresa fosse obrigada a devolver R$ 578 milhões aos fundos de pensão Petros e Funcef.

Como parte da colaboração da JBS na Operação Patmos foram entregues fotos do encontro. A Patmos mira o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e o deputado Rocha Loures (PMDB/PR).

Neste jantar, o diretor da JBS alega ter sido obrigado a ‘tirar o paletó’ por haver suspeitas do advogado Willer Tomaz de que ele estaria em delação premiada e, eventualmente, gravando a conversa.

Durante o encontro, Assis e Silva teria entregue inclusive um relatório da defesa a fim de esclarecer quais eram os argumentos da JBS contra a devolução dos R$ 578 milhões – pedida em ação judicial pelo procurador da República Anselmo Lopes.

“Eu me aproximei do Ângelo com duas pastas: uma é um ‘power point’ dos erros do processo. Erros formais e materiais do processo. Erro de data, erro de valor de balanço, erro de capitalização, erros que se olhado, de forma bem clara, qualquer procurador pede arquivamento. Não tenho menor dúvida”, afirmou.

À época, em meados de abril, o procurador da República Anselmo Lopes já havia sido procurado pela JBS para um pré-acordo de delação premiada.

Lopes foi responsável pela ação controlada sobre o diretor Assis e Silva no âmbito da Operação Patmos. O executivo da JBS foi ao jantar como um informante do Ministério Público Federal. Ele inclusive tirou fotos do evento e as entregou aos investigadores.

O executivo disse que Anselmo Lopes não realizou tratativas com a JBS, e que Ângelo Goulart afirmou que não haveria chances de negociar com seu colega de Instituição. “Com o Anselmo não tem nem chance de ter uma conversa amena”, afirmou o diretor do grupo.

Poucos dias após o jantar, Assis e Silva diz ter sido procurado por Willer Tomaz e questionado sobre um carro que chegou ‘8 minutos depois’ e saiu ‘8 minutos depois’ do evento. Ele diz ter sido indagado se sabia de que ‘estava sendo monitorado’.
Tomaz é investigado por supostamente receber de Joesley Batista R$ 8 milhões pelo arquivamento do inquérito contra o empresário na Greenfield por ser responsável pelos pagamentos de ‘ajuda de custo’ de R$ 50 mil por mês ao procurador Ângelo Goulart Villela.

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